Felipe Lima e João Gomes faturam prata e bronze nos 50m peito e fazem história
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quinta-feira, 25 de julho de 2019
Agência Estado 
Gwangju (Coreia do Sul) - Em dobradinha inédita para o Brasil, os nadadores Felipe Lima e João Gomes Junior brilharam nesta quarta-feira (24) no Mundial de Esportes Aquáticos, na Coreia do Sul. Eles conquistaram as medalhas de prata e bronze nos 50 metros peito, em Gwangju. Foi a primeira vez que o País registrou uma dobradinha no pódio em uma final de Mundial de piscina longa (50 metros).
Lima chegou à frente do compatriota ao registrar o tempo 26s66, contra 26s69 de João Gomes. O campeão mundial foi o britânico Adam Peaty, com o tempo de 26s06. O vencedor era o grande favorito. Antes, vencera a prova dos 100m peito, com direito a recorde mundial na fase eliminatória.
Em uma disputa apertada, Peaty dominou do começo ao fim. Como de costume, em distância de 50m, a prova foi decidida na batida de mão. Logo após, Lima cumprimentou o britânico e nadou até a raia do compatriota para um abraço de comemoração.
Em comparação aos resultados das semifinais, Lima piorou ligeiramente o seu tempo. Antes ele anotara 26s62. João Gomes, que marcara 26s84, mostrou evolução. E Peaty foi ainda melhor do que os 26s11 registrados na fase anterior.
"Isso é muito gratificante, o Brasil merece isso: as pessoas que estão assistindo, que acreditaram na gente, torceram por nós, nossas famílias e amigos, companheiros de equipe. Tudo isso é muito gratificante, tivemos uma rotina muito árdua para chegar aqui. Tivemos eliminatórias, semifinais, final. Estou muito feliz com o resultado, ainda mais com o meu parceiro de treino", comemorou Lima, em entrevista ao canal SporTV.
A dobradinha confirmou os bons resultados que o Brasil vêm obtendo em Mundiais tanto de piscina longa (50 metros), como este que acontece na Coreia do Sul, quanto nos de piscina curta (25m). Em Budapeste, há dois anos, João Gomes, de 33 anos, faturou a prata nesta mesma prova. Lima, de 34, foi bronze nos 100m peito no Mundial de Barcelona, em 2013.
"O João foi prata em Budapeste. Neste ano eu vim para incomodar um pouquinho ele, um incômodo bom. Isso só traz mais gás para os treinos, pensando agora nos Jogos Pan-Americanos", declarou Lima, que treina com João Gomes no Esporte Clube Pinheiros.
O medalhista de bronze destacou o feito obtido pela dupla em Mundiais. "Fizemos história. Até tínhamos chances reais de levar o primeiro lugar, vínhamos treinando bastante para isso. Estou feliz para caramba, graças a Deus deu tudo certo. Vamos focar agora no Pan para tentar sair de lá com uma dobradinha de novo", declarou.
João Gomes também reservou elogios para o amigo e companheiro de treino. "O Felipe é um cara que, quando eu comecei, eu me espelhava nele. Tínhamos quase a mesma idade. Sempre via ele nadando e queria chegar onde ele estava. Graças a Deus, cheguei [neste pódio] e junto com ele. Ele merece, vem batalhando há muito tempo neste cenário."
Com o resultado obtido nesta quarta, o Brasil chegou a três medalhas na natação neste Mundial, sendo cinco no total. Antes, Nicholas Santos conquistara o bronze nos 50 metros borboleta. Na maratona aquática, em águas abertas, Ana Marcela Cunha faturou dois ouros, nas distâncias de 5km e 25km.
VAGA NA FINAL - Mais cedo, o Brasil garantiu dois nadadores na final da tradicional prova dos 100 metros: Marcelo Chierighini e Breno Correia. Ambos avançaram ao competirem na última série, ao lado do norte-americano Caeleb Dressel, principal favorito ao título mundial. Ele anotou o melhor tempo das semifinais, com 47s35.
Chierighini veio logo atrás, com 47s76. O brasileiro chegou a virar em primeiro lugar, mas bateu em segundo. Correia, em seu primeiro Mundial, obteve o quarto tempo da série, com 48s33, melhorando seu tempo em comparação à eliminatória, quando marcou 48s39. Foi, no total, o oitavo colocado desta fase. Chierighini melhorou sua marca. Antes fizera 47s95. A final está marcada para a manhã desta quinta-feira (horário de Brasília), a partir das 8 horas.
"Como eu disse depois da eliminatória, o nível está muito forte. Tem o último medalhista dos 100m livre, tem o Caeleb, tem a gente também. Será a primeira final do Breno, gostaria de parabenizá-lo. Desde 2009, não tínhamos dois brasileiros em uma final de 100m", destacou o brasileiro, em entrevista ao canal SporTV.
Breno também comemorou a vaga em sua primeira final de Mundial. "Esperava baixar um pouco tempo em relação à eliminatória. Queria quebrar a barreira do 47s. Infelizmente, não veio agora. Quem sabe, amanhã. Estou muito satisfeito por ter mais uma oportunidade de baixar o tempo, nadar uma final. Acredito que a prova está bem aberta", comentou Breno.
Nos 50 metros costas, Etiene Medeiros também se destacou nas semifinais. Ela garantiu a vaga na decisão da medalha ao terminar a disputa com o segundo melhor tempo, com 27s69. Ficou atrás somente da norte-americana Kathleen Baker, com 27s62.
Atual campeã mundial da prova, a brasileira largou mal em sua série, mas fez a diferença na chegada. A seu favor na final, Etiene não terá a concorrência da chinesa Fu Yuanhui, campeã mundial em Kazan, em 2015, e prata em Budapeste, há dois anos. Ela obteve apenas o nono lugar, com 27s84, e ficou fora da final
Por fim, o brasileiro Leonardo Santos não avançou à final dos 200 metros medley. Ele foi o oitavo e último colocado de sua série, com o tempo de 1min58s99. Chegou a virar em terceiro na entrada dos últimos 100 metros, porém não conseguiu sustentar o ritmo. O checo Laszlo Cseh, dono de dois títulos mundiais e de seis medalhas olímpicas, também ficou de fora.


