Felipe diz que safra de laterais é de fazer inveja
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Sílvio Barsetti 
Brasília, 07 (AE) - Os laterais Felipe e Athirson, ambos da seleção sub-23, acreditam que exista pelo menos nove laterais-esquerdos em condições de vestir a camisa 6 da seleção brasileira principal. Eles também se incluem numa lista imaginária e a estendem a Serginho (São Paulo), Silvinho (Corinthians), Júnior (Palmeiras), André (Cruzeiro), Roger (Grêmio), Roberto Carlos (Real Madrid) e Zé Roberto (Bayern de Leverkusen). "É uma safra de fazer inveja", analisou Felipe (Vasco).
Athirson acredita ainda que seja possível encontrar outros laterais de bom nível técnico no futebol brasileiro. "Citar nomes é complicado por que a gente sempre esquece de alguém." Ele atribui uma característica diferente para cada um dos outros laterais-esquerdos, mas prefere enaltecer dois ex-astros da posição, Júnior e Leonardo, ex-Flamengo. "Eu acho que tenho um estilo semelhante ao de Leonardo, que gostava muito de ir ao ataque."
Felipe também não abre mão de tentar as jogadas de ataque e é um dos maiores dribladores do Brasil. "Aprendi a driblar no futebol de salão." Assim como Athirson, com quem dividiu um quarto durante a permanência em Brasília, não tem uma explicação mais precisa sobre essa incidência de laterais-esquerdos de qualidade. "É o dom das pessoas e talvez uma coincidência por todos surgirem num mesmo momento." Felipe, escalado no meio-de-campo para o amistoso da seleção com os Estados Unidos, disse que o meia-esquerda e o lateral-esquerdo são "coirmãos". "Já vivi essa experiência no Vasco e não senti muita diferença." Athirson também já atuou no meio, pelo Flamengo, e faz uma análise parecida com a de Felipe. Para o lateral rubro-negro, qualquer canhoto de talento consegue se destacar atuando pelo lado esquerdo do campo.
Os dois cariocas, de 21 anos, preferem continuar na posição de origem, mas deixam claro que podem colaborar com Luxemburgo ou com os técnicos de seus clubes no meio-de-campo. Athirson salientou que o meia tem mais liberdade para atacar, sem a mesma preocupação com a marcação que o lateral deve ter quando avança. "É sempre importante para o lateral-esquerdo ofensivo ter a cobertura de um volante." Nem Athirson nem Felipe arriscam apontar um motivo para a ausência, com raras exceções, de grandes laterais-direitos no Brasil.


