Felipe diz que a safra de laterais esquerdos no País é de dar inveja
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Sílvio Barsetti Agência Estado 
Os laterais Felipe e Athirson, ambos da seleção sub-23, que enfrentaria a dos Estados Unidos, ontem à noite, em Brasília, acreditam que exista pelo menos nove laterais-esquerdos em condições de vestir a camisa 6 da seleção brasileira principal. Eles também se incluem numa lista imaginária e a estendem a Serginho (São Paulo), Silvinho (Corinthians), Júnior (Palmeiras), André (Cruzeiro), Roger (Grêmio), Roberto Carlos (Real Madrid) e Zé Roberto (Bayern de Leverkusen). É uma safra de fazer inveja, analisa o vascaíno Felipe.
Athirson, do Flamengo, acredita ainda que seja possível encontrar outros laterais de bom nível técnico no futebol brasileiro. Citar nomes é complicado por que a gente sempre esquece de alguém. Ele atribui uma característica diferente para cada um dos outros laterais-esquerdos, mas prefere enaltecer dois ex-astros da posição, Júnior e Leonardo, ex-Flamengo. Eu acho que tenho um estilo semelhante ao de Leonardo, que gostava muito de ir ao ataque.
Felipe (foto) também não abre mão de tentar as jogadas de ataque, e é um dos maiores dribladores do Brasil. Aprendi a driblar no futebol de salão, conta ele. Assim como Athirson, com quem dividiu um quarto durante a permanência da Seleção Sub-23 em Brasília, não tem uma explicação mais precisa sobre essa incidência de laterais-esquerdos de qualidade. É o dom das pessoas e talvez uma coincidência por todos surgirem num mesmo momento. Felipe, escalado no meio-de-campo para o amistoso os Estados Unidos, disse que o meia-esquerda e o lateral-esquerdo são coirmãos. Já vivi essa experiência no Vasco e não senti muita diferença.
Athirson também já atuou no meio, pelo Flamengo, e faz uma análise parecida com a de Felipe. Para o lateral rubro-negro, qualquer canhoto de talento consegue se destacar atuando pelo lado esquerdo do campo.
Os dois cariocas, de 21 anos, preferem continuar na posição de origem, mas deixam claro que podem colaborar com Luxemburgo ou com os técnicos de seus clubes no meio-de-campo. Athirson salientou que o meia tem mais liberdade para atacar, sem a mesma preocupação com a marcação que o lateral deve ter quando avança. É sempre importante para o lateral-esquerdo ofensivo ter a cobertura de um volante. Nem Athirson nem Felipe arriscam apontar um motivo para a ausência, com raras exceções, de grandes laterais-direitos no Brasil.
A virada de Denílson - O meia Denílson passou por momentos delicados logo após a sua transferência para o Betis, da Espanha, em julho do ano passado. A cobrança por ter sido o pivô da maior transação do futebol mundial - seu passe foi vendido pelo São Paulo por US$ 26 milhões - não lhe fez bem e Denílson teve de manter o equilíbrio para superar a forte pressão da torcida e da imprensa local. Ele contou que a expectativa dos espanhóis era a de ver em ação um novo Romário. Achavam que eu tinha o mesmo estilo matador dele, que eu era goleador, conta o atacante.
Denílson defendeu-se das críticas iniciais, lembrando aos espanhóis que fazer gols nunca fora o seu forte. Sua principal característica é tentar as jogadas de linha de fundo para cruzar e deixar os atacantes em condições de finalizar. Na fase ruim, o jogador contou com o apoio de parentes, que seguiram com ele para a luxuosa casa adquirida num condomínio próximo ao estádio do Betis.
O meia está aprendendo a língua espanhola e também não tem dificuldades com a alimentação. Perto de sua casa, há um supermercado com vários produtos brasileiros.
Ele justifica a demora em se adaptar ao futebol espanhol com uma explicação razoável: Eu estava retendo muito a bola e, lá, se você não pensa com agilidade, é atropelado pelos adversários. Para Denílson, seu estilo de jogo mudou por causa dessa necessidade de rapidez exigida pelos espanhóis. Antes, em cada dez jogadas, eu só conseguia concretizar quatro ou cinco. O meia marcou apenas um gol na temporada - há quatro semanas, no empate de 1 a 1 do Betis com o Racing de Santander. Foi emocionante ouvir a torcida gritar o meu nome do início ao fim da partida.


