O técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, decidiu apelar para o futebol de resultados. Sem tempo para treinar o time, o treinador interrompeu ontem várias vezes o primeiro trabalho tático da equipe nacional para alertar os jogadores que o empate é um ''bom resultado'' contra a Bolívia, amanhã, em La Paz, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2002.
Preocupado com o ímpeto ofensivo dos atletas durante o treino, Scolari berrava sobre a importância do empate. ''Vamos ter calma. Se não tomarmos gol lá, já estamos classificados'', gritou o treinador para os jogadores no treino.
Apesar do discurso otimista de Scolari em favor do empate, a seleção poderá se complicar se não vencer a fraca Bolívia, em La Paz. Os uruguaios poderão se igualar a seleção em quarto lugar, caso vençam o Equador, em Quito. A seleção soma 27 pontos. Já o Uruguai tem 25 pontos. De acordo com o regulamento das eliminatórias, os quatro primeiros se classificam para a Copa do Mundo. O quinto colocado decidirá a vaga com a Austrália em uma repescagem.
Scolari decidiu adotar o futebol de resultados contra a eliminada Bolívia por causa da série de problemas enfrentados pela seleção durante a preparação para o jogo. Até ontem à tarde, o treinador ainda não havia conseguido reunir os 23 convocados. A preparação da seleção foi prejudicada por causa da decisão da Fifa em favor dos clubes europeus na semana passada.
Na quinta-feira, a entidade determinou que os clubes europeus poderiam contar com os seus jogadores na rodada do final de semana. Com isso, a maioria dos atletas que atuam no exterior só se apresentou a Scolari ontem. Antes da decisão da Fifa, a comissão técnica queria contar com os 23 convocados no sábado.
Com a ausência de vários jogadores, os dois primeiros dias de treino na Granja Comary foram quase perdidos.
Como se não bastasse a dificuldade para reunir todos os convocados, Scolari decidiu apelar pelo futebol de resultados também por causa da temida altitude de La Paz. A capital boliviana é localizada a cerca de 3.600 metros acima do nível do mar. Os principais sintomas na altitude são dor de cabeça, vômito e tonteira.

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