Marienfeld - O duelo entre Deco e Zidane ficou para segudo plano. A disputa entre Henry e Fernando Meira ou Ricardo Carvalho nem foi levantada. O assunto que voltou a dominar as discussões entre os portugueses no treino de ontem à tarde em Marienfeld foi a declaração do presidente da Federação Portuguesa, Gilberto Madaíl, sobre o futuro de Luiz Felipe Scolari. Não disse nem que sim, nem que não, mas alimentou e muito a batalha diária que jornais portugueses travam há tempos para adivinhar o futuro do treinador.
''Há time (tempo) para tudo'', disse Madaíl. ''Podemos resolver isso mais tarde, temos tempo para pensar e decidir e resolver tudo.''
Felipão está silencioso e reticente em relação ao futuro. Ele tem muitas razões para continuar. É bem pago e renovando seria melhor remunerado ainda. A pressão sobre ele é bem menor do que no Brasil, por exemplo. A maioria da mídia portuguesa o apóia porque Portugal, que em 18 Copas disputou quatro, jamais se sentiu tão forte numa competição internacional como esta.
Em Cascais, onde mora, tem uma qualidade de vida mais do que satisfatória. Mas há um fator imponderável que ele não confirma, mas Madaíl mostrou que não pode ignorar: a concorrência de robustas propostas de outros países, como a Inglaterra, que querem contratá-lo para iniciar imediatamente um trabalho rumo a competições fortes como Eurocopa e de novo as Eliminatórias.
''Temos dinheiro, mas temos que compor um plano financeiro com ajuda de parceiros para negociarmos a renovação. Tenho conversado cotidianamente sobre isso com Scolari e posso garantir que ainda não há uma posição sobre o assunto, mas pode-se dizer que avançamos em alguns pontos'', disse Madaíl.
Dentro de seu quartel-general em Marienfeld, Felipão não dá munição para essa guerra de informações. Dribla o assunto com a repetida frase de que só discute renovação após 31 de julho e não quer dar margem para que a renovação possa servir de argumento para os que o detestam em Portugal o acusarem de fracassar nesta reta final de Copa do Mundo.
Trabalho tranquilo Aliás, é essa resistência de dirigentes influentes que comandam o futebol de Portugal mas perderam o controle sobre a seleção, notadamente o presidente João Pinto, do Porto, um dos fatores que podem ter mais influência na sua decisão. Poder trabalhar sem escaramuças é o mínimo que o técnico gostaria de continuar tendo na vida.
Toda essa polêmica não tira o otimismo do presidente da Federação Portuguesa, que indagou: ''Nenhum técnico das seleções que foram eliminadas da Copa do Mundo definiu seu futuro. O Parreira vai para o Corinthians? O Eriksson já sabe onde vai trabalhar? Vamos esperar'', concluiu.

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