A humilhante derrota para a Bolívia em La Paz traumatizou a Seleção Brasileira. O fraco desempenho do time abalou até mesmo Luiz Felipe Scolari. O técnico saiu do Estádio Hernando Siles arrasado. Atravessou a madrugada calado na viagem de volta ao Brasil. Não dormiu um minuto. A insônia de Felipão tem uma explicação: ele sabe que a Seleção terá uma semana dramática até o jogo com a Venezuela, no dia 14, em São Luís, no Maranhão. Teme que os jogadores não suportem tantas pressões. Por isso, resolveu pedir ajuda à mídia. ''Gostaria que vocês não vissem só o lado negativo. Seria bom que a Seleção tivesse o apoio de todos nesta semana importante.''
Na cabeça de Felipão, o País deveria criar uma onda de patriotismo que empurre a Seleção Brasileira. A maior ameaça nem é a Venezuela. São as próprias fraquezas do time. A maior delas é a questão emocional.
Abalada por derrotas seguidas nessas Eliminatórias, a equipe do Brasil ficou sem personalidade. Se não tiver o apoio da mídia e da torcida, Felipão imagina que a grande beneficiada no confronto do dia 14 será a Venezuela. Ele próprio, ainda em La Paz, começou o trabalho de recuperação emocional dos atletas. Além de assumir a culpa pela derrota (''o culpado ou não culpado, sou eu que estou dirigindo''), saiu em defesa de seus jogadores, especialmente de Rivaldo. ''Fiquei assustado com o futebol que o Brasil jogou coletivamente. Nenhum jogador vai ser crucificado sozinho.''
Mudanças para o jogo contra a Venezuela devem acontecer. Mas Felipão não pretende mexer na base da equipe.
A defesa, que foi muito mal em La Paz, está seriamente ameaçada. O jovem Juan, que falhou no lance do primeiro gol boliviano, é o maior ameaçado de perder a posição, apesar das palavras de Felipão em sua defesa. ''A defesa não foi bem, admito. Vou estudar como pode melhorar. Não sei se com mudança ou não'', disse o treinador.
Se dependesse só de sua vontade, Felipão já teria requisitado uma ajuda profissional de sua amiga Regina Brandão, psicóloga com quem já trabalhou em alguns clubes. Só não faz isso agora porque o recurso fatalmente geraria tanta polêmica na opinião pública que acabaria se tornando mais um problema para a Seleção Brasileira.
Apesar da situação dramática da Seleção nas Eliminatórias, Felipão se sente seguro no cargo. ''Se continuo? Isso você tem de perguntar ao presidente''. O secretário-geral da CBF, Marco Antonio Teixeira, assegura que sim: ''Não se deve nem cogitar a saída do técnico''.
A derrota inesperada pela Bolívia não alterou a programação de folga da Seleção Brasileira. Na chegada de La Paz, às 7h30 de ontem, em São Paulo, e às 8h30 no Rio, todos os jogadores foram dispensados. Só Felipão desistiu de ver a família no Sul. Preferiu voltar à Granja Comary, em Teresópolis, onde Luizão e Roberto Carlos estão internados desde a semana passada.

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