Rio - Cerca de 70 torcedores abordaram o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, e deram uma demonstração da pressão que ele terá de enfrentar se não convocar o artilheiro Romário, do Vasco, para a Copa do Mundo. Aos empurrões e agressões verbais, o treinador deixou a sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), após reunir-se com a comissão técnica, ontem, para acertar os últimos detalhes da elaboração da lista final, que será divulgada na segunda-feira.
Aos gritos de ‘‘ão, ão, ão, Romário é seleção’’ e ‘‘burro, burro, burro’’, os torcedores criticaram Scolari, por insistir em não levar Romário ao Mundial. Munida de faixas, cartazes e recortes de jornais em apoio ao artilheiro vascaíno, a torcida começou a aglomerar-se na porta da CBF, por volta das 14 horas.
Scolari ainda foi aconselhado por assessores a esperar um pouco e não enfrentar a multidão, mas optou por ir de encontro aos torcedores. Ao caminhar por cerca de 30 metros, da porta da CBF até a esquina onde o carro que o transportou estava estacionado, o treinador foi cercado, empurrado, além de achincalhado pela torcida. Como segurança, somente o massagista da seleção brasileira, Rogelson da Silva Barreto que, em vão, tentou conter os revoltados.
Já dentro do automóvel, Scolari ainda enfrentou a fúria dos manifestantes que desferiram socos, pontapés e solavancos contra o veículo. Com Scolari embarcaram no carro o auxiliar-técnico da seleção brasileira, Flávio Teixeira, o Murtosa, e o preparador-físico Paulo Paixão. Na confusão, Paixão ainda foi impedido pelo motorista de entrar no veículo, que não o reconheceu, mas depois conseguiu seguir.
Durante o trajeto a pé, Scolari não esboçou nenhuma reação à atitude dos torcedores, o que evitou consequências mais graves ao episódio. O treinador limitou-se a abrir caminho rapidamente para poder passar e tentou se esquivar dos mais exaltados.
Em São Januário, Romário disse que toda manifestação de apoio é bem-vinda, mas condenou a qualquer tipo de violência. O artilheiro ainda lamentou ter sido a causa de mais uma situação constrangedora para Scolari. ‘‘Qualquer manifestação de apoio é bem-vinda. Fico satisfeito de ver que existem pessoas do meu lado, mas condeno qualquer manifestação com requintes de violência ou truculência, que possa prejudicar qualquer pessoa’’, disse Romário por meio de sua assessoria de imprensa.
Os jogadores vão se apresentar no dia 12, para a viagem à Espanha, onde a seleção ficará treinando no Centro de Treinamento do Barcelona, até o dia 18, quando enfrenta a seleção da Catalunha. O médico da seleção brasileira, José Luiz Runco, aproveitou para afirmar que o meia Rivaldo está em fase final de recuperação de sua contusão no joelho direito e deve atuar neste final de semana pelo Barcelona. Ele também disse estar tranquilo quanto à recuperação do meia Kaká (entorse no tornozelo direito) e do atacante França (estiramento muscular na coxa direita), ambos do São Paulo, após ter conversado com o médico do clube paulista, José Sanchez, e ter recebido ‘‘boas notícias’’.

mockup