Felipão e Ricardo, os novos heróis portugueses
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de julho de 2006
Márcio Tavares<br> Agência O Globo 
Gelsenkirchen - ''Heróis do mar, nobre povo, nação valente e imortal. Levantai hoje de novo, o esplendor de Portugal''. Atendendo ao apelo dos primeiros versos de seu hino, a seleção portuguesa do técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari conquistou ontem, em Gelsenkirchen, a vaga para as semifinais da Copa do Mundo, na quarta-feira. Nos pênaltis, depois de 0 a 0 no tempo normal e prorrogação, Portugal superou a Inglaterra por 3 a 1.
Com a classificação, os portugueses já igualaram o resultado da participação no Mundial de 1966, na Inglaterra, em que chegaram às semifinais, mas foram superados pela Inglaterra. Lá, a equipe também tinha um treinador brasileiro, Otto Glória. Apesar da classificação, o técnico Felipão deixou de chegar à 12 vitória seguida em Copas, contando-se as sete do título brasileiro de 2002 e quatro até agora, já que o resultado oficial de ontem foi o empate.
''Temos a possibilidade de vitória também no próximo jogo e de ir à final. Mas é ir passo-a-passo, se bem que o próximo passo pode nos levar à final. Quero este espírito (mostrado hoje) contra qualquer adversário'', afirmou Felipão.
O goleiro Ricardo, que defendeu as cobranças de Lampard, Gerard e Carragher, foi novamente o herói numa decisão de pênaltis contra os ingleses. Já havia sido assim na Eurocopa-2004, na qual o goleiro converteu o pênalti decisivo nas semifinais. ''Durante o jogo, não nos desconcentramos. Tivemos uma postura digna. Eu tinha fé que nossa equipe ganhasse. Foi para os pênaltis, e graças a Deus peguei três, e os companheiros fizeram'', disse.
Nações que dominaram as grandes navegações nos séculos 15 e 16, Portugal e Inglaterra começaram o jogo como uma batalha, se estudando. Quem perdeu primeiro a timidez foi a Inglaterra. Ela avançou um pouco a marcação e começou a pressionar a saída de bola portuguesa. Com os erros de passes do adversário, os ingleses tiveram um leve domínio.
Depois do cauteloso primeiro tempo, a Inglaterra começou mais efetiva no ataque. Entretanto, começaria a sofrer sua primeira perda aos 5, quando o astro Beckham sentiu uma lesão no joelho esquerdo e teve de ser substituído por Lennon. Quando os ingleses dominavam, o temperamental Rooney acabaria prejudicando o time. Depois de ter sofrido falta de Ricardo Carvalho, ele se levantou e pisou na perna do português, ainda caído, e deu um empurrão em Cristiano Ronaldo. Rooney foi expulso pelo árbitro Horácio Elizondo.
Mesmo com um a menos, a Inglaterra não se retrancou. Tentava bolas longas e altas para o gigante Crouch (1,98m), que entrara no lugar de Joe Cole. Chances mesmo, foram poucas. Fechada, a Inglaterra obrigava Portugal a chutar de longe, sem perigo, e foram os ingleses que estiveram mais próximos de vencer no tempo normal. Na prorrogação, o panorama não se alterou muito.
Nos pênaltis, Simão Sabrosa, Postiga e Cristiano Ronaldo converteram para Portugal. Para a Inglaterra, converteu Hargreaves. Ricardo defendeu os chutes de Lampard, Gerrard e Carragher.
INGLATERRA 0 (1)
Robinson; Gary Neville, Rio Ferdinand, John Terry e Ashley Cole; Hargreaves, Gerrard, Lampard, Beckham (Lennon) (Carragher) e Joe Cole (Crouch); Rooney. Técnico: Sven-Goran Eriksson
PORTUGAL 0 (3)
Ricardo; Miguel, Ricardo Carvalho, Fernando Meira e Nuno Valente; Petit, Maniche, Tiago (Hugo Viana), Cristiano Ronaldo e Figo (Hélder Postiga); Pauleta (Simão Sabrosa). Técnico: Luiz Felipe Scolari
Árbitro: Horacio Elizondo (ARG)
Estádio: AufSchalke Arena, em Gelsenkirchen
Expulsão: Rooney


