São Paulo - A crise do Palmeiras parece não ter fim. E o ambiente no clube, que já estava ruim, só piora com o passar dos dias. Ontem, na volta aos treinos, o clima era de desolação, com poucas brincadeiras entre os jogadores. E com uma nova determinação, que partiu de Luiz Felipe Scolari: todos do grupo, incluindo ele, estão proibidos de dar entrevista até o próximo sábado, data do confronto contra o lanterna América-MG, no estádio do Canindé. Após a partida, tudo deverá voltar ao normal.
A ''lei do silêncio'' atingiu também Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo. Os dois foram até a Academia de Futebol nesta terça, conversaram por 20 minutos com Felipão e Walter Munhoz, vice-presidente financeiro, e foram embora sem dar entrevistas. Bastante irritado, Frizzo chegou a falar rapidamente. ''Essa é a melhor decisão, é hora da reflexão. Quando vocês precisam refletir, vocês também ficam em silêncio'', disse o vice de futebol. ''Decisões são tomadas em conjunto, nada é secreto''.
Com essa última determinação, Felipão tenta amenizar a série de problemas internos no Palmeiras, evitando assim declarações desagradáveis. Tudo por causa de Kléber. Acostumado com a fama de artilheiro, o atacante viu nos últimos dias o seu status ir por água abaixo. Sem marcar há 14 jogos no Campeonato Brasileiro, ele conseguiu nas últimas partidas o que parecia impossível no Palmeiras: piorar o ambiente no clube.
Irritado com a falta de armação e com as falhas defensivas do time, Kléber disparou contra os companheiros após os jogos. As declarações não são muito diferentes daquelas que Marcos costuma soltar sempre que está insatisfeito. Mas a diferença é que o atacante não goza do mesmo prestígio nem tem a mesma moral do goleiro. E suas reclamações repercutiram mal no grupo. Até Felipão ficou insatisfeito com o camisa 30.
Kléber não marca no Brasileirão desde 19 de junho, quando anotou dois gols contra o Avaí, no Canindé.

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