Belo Horizonte
- Felipão admitiu às vésperas da partida com o Chile que também se preocupa com a possibilidade de a seleção ser eliminada nas oitavas de final. Comentou sobre sua solidão e dúvidas, quase temores, em momentos chaves da Copa como será o jogo no Mineirão, o primeiro em que o Brasil não terá tempo para se recuperar em caso de má atuação. Quem perder, está fora, e isso seria uma tragédia para o povo brasileiro, que já sentiu na pele e nunca se esqueceu do fracasso de 1950 na primeira Copa sediada no País. Suas revelações, no entanto, tem propósito: tirar o fardo das costas de seus jogadores sem fazer com que eles deixem de sentir a emoção e a importância desse confronto em Minas, o quarto da equipe no torneio, depois de duas vitórias e um empate.
A pressão do Brasil é enorme diante de um rival que se insinua forte apesar do retrospecto de três derrotas em Copas, uma delas em sua própria casa, em 1962, quando o Brasil ainda tinha Garrincha. "Esse retrospecto só serve para vocês, jornalistas. Para nós, os dados estão aí para que sejam manuseados. Para nós não interessa em nada. Esse Chile não é o Chile de 1962 nem o de 2010. É outro Chile. E se os dados provam alguma coisa, jogamos aqui no ano passado e foi 2 a 2, e depois no Canadá, 2 a 1 para o Brasil. Portanto, existe uma igualdade grande."
Quando admite seus receios e a dificuldade que o Brasil terá neste sábado, Felipão trabalha duplamente com a cabeça dos jogadores. Primeiro, faz com que eles continuem ligados e concentrados, como estiveram até agora. Segundo, tira dos ombros do grupo o peso de uma nação de 200 milhões de torcedores, cada vez mais empolgados com a conquista. Tudo isso está em jogo no Mineirão. Felipão não dá ponto sem nó. Ele sabe que tem nas mãos um time "excelente", mas que também é formado por atletas jovens, como Neymar e Oscar, ambos com 22 anos. Confia plenamente em todos eles, sobretudo em Neymar. E por isso destaca a personalidade do seu camisa 10. Quase garante que Neymar não vai se abater na primeira partida mata-mata.
Embora já tenha sentido o sabor de grandes momentos no futebol, no Brasil e Europa, Neymar ainda nunca disputou uma decisão como essa, de um Mundial no Brasil. E certamente nunca mais disputará. "Pela idade que tem, ele é um menino muito centrado, com foco e ideias claras. É participativo taticamente e está sempre envolvido com as situações do time. Fora isso, o Neymar é um menino do bem, e muito do bem."
O técnico comentou ainda seu trabalho desde que assumiu o grupo na Granja no sentido de prepará-los para as fases agudas. "Tenho usado minha experiência da mesma forma desde que me tornei treinador. Quase 60% das competições que disputei eram jogadas, em determinados períodos, no sistema de mata-mata. A gente tem algumas estratégias, acelera processos, monta uma ideia sobre a equipe adversária. Dependendo do grupo, tiramos um pouco a pressão deles. Neste momento, mostro o potencial do Chile e valorizo o nosso. Destaco todas as nossas condições."
Felipão foi categórico ao afirmar que Neymar não joga para ele individualmente e sim para a seleção. Mesmo assim, para não deixar sua melhor aposta travada ou pressionada, faz questão de aliviar a "incumbência" de Neymar e dos demais. "Eles não precisam provar mais nada para ninguém. Na opinião do técnico do Brasil, são os melhores. E estão na Copa por isso. "Mantenho todos tranquilos."
O treinador mostra o dissabor da derrota na esperança de provocar reações. "Não queremos perder, claro, e isso não nos dará orgulho algum, mas não podemos nos atirar no poço caso ocorra. A vida continua. Temos de entender que do outro lado também tem um rival que trabalha com qualidade e quer ganhar do Brasil. Trabalhamos a cabeça dos nossos jogadores para isso."

mockup