Goiânia - Se você não pode com o fantasma, deixe-o ao menos fora do estádio. A partir dessa equação, os jogadores da seleção pediram e a comissão técnica concordou em fechar os portões a um treino de ontem para o amistoso contra a Bolívia, amanhã, em Goiânia. A pressão popular para que o técnico Luiz Felipe Scolari convoque o atacante Romário - preterido do jogo - para a Copa surgiu na chegada da seleção à cidade, no domingo à noite.
Os treinos de segunda-feira e ontem de manhã no Estádio Serra Dourada, abertos à torcida, foram marcados por manifestações em favor do craque vascaíno. Atordoada, a comissão técnica anunciou que a programação inicial, de abrir ao público todos os treinos, fora modificada por um pedido dos atletas.
‘‘A princípio, queríamos repetir a integração que houve em Coritiba e Porto Alegre (onde a seleção jogou pelas eliminatórias). Mas, em virtude do que aconteceu (a insistência por Romário), alguns jogadores se sentiram pressionados e pediram à comissão técnica que fechassem os treinos’’, explicou o coordenador técnico Antônio Lopes.
A medida valeria também para o treino de hoje à noite, mas, vendo que o tiro poderia sair pela culatra - os meios de comunicação de Goiânia criticaram fortemente o ‘‘desrespeito’’ com o torcedor, e várias pessoas deixaram o Serra Dourada ontem revoltadas com a novidade -, Scolari voltou atrás.
Numa clara demonstração de que a comissão técnica não fala a mesma língua - ou pelo menos se enrola com a própria língua -, Lopes disse que o pedido dos jogadores foi aceito porque ‘‘veio de encontro ao que a comissão técnica queria’’.
Anteontem, porém, Scolari dissera que o contato com o torcedor goiano, mesmo com os pedidos por Romário, era bom para os atletas, pois se tratava de um teste para a pressão de disputar uma Copa do Mundo. Outra declaração de Lopes que bateu de frente com o que pensa Scolari foi a respeito da troca do local dos treinos em Goiânia - marcados inicialmente para o estádio do Goiás e transferidos para o Serra Dourada. A mudança irritou Scolari, que julgou inadequado treinar três dias no mesmo gramado do jogo.
‘‘Se chover esses três dias, como tem chovido em Goiânia, vou pedir ao presidente da federação um campo para treinar’’, reclamou o técnico.
Além dos desencontros, a comissão técnica teve um dia de trapalhadas ontem. Antes de anunciar o real motivo do fechamento dos portões, mandou informar que Scolari gostaria de fazer ‘‘um trabalho especial’’ com os atletas, e por isso decidira proibir a entrada da torcida.
Ontem ocorreu o primeiro coletivo para o amistoso. O destaque foi o lateral-esquerdo Paulo César, do Fluminense, que marcou dois dos três gols. O jogador foi convocado pela primeira vez. O treino começou com os seguintes titulares: Dida; Juan, Ânderson Polga e Cris; Belletti, Gilberto Silva, Kléberson, Juninho e Paulo César; Edílson e Luizão.
No intervalo, Scolari deixou o time mais ofensivo, colocando Kaká na vaga de Kléberson. Substituiu ainda Cris por Daniel e Edílson por Marques. A equipe melhorou ligeiramente, mas a tendência é que Scolari coloque no amistoso a formação que começou o coletivo. Há possibilidade de Kaká, que fez um treino esforçado mas sem brilho, entrar na vaga de Kléberson.

mockup