Atenas - Depois de passar 40 dias treinando na Coréia do Sul, um dos países onde o taekwondo mais tem tradição, Natália Falavigna, maringaense redicada em Londrina, estréia na Olimpíada. Ela disputa às 2 horas desta madrugada a primeira eliminatória da categoria 67 quilos. ''Treino muito o aspecto emocional, que é o fator mais importante. O tempo que fiquei na Coréia me deixou mais confiante'', diz. ''Se conseguir executar direitinho o 'feijão com arroz', já posso brigar por uma medalha. Mas, claro, se a coisa apertar, tenho algumas cartinhas na manga''.
Única representante do taekwondo no feminino, Natália precisou contar com o apoio de seus companheiros Diogo Silva, categoria 68 quilos, e Marcel Venceslau, 58 quilos, durante toda a semana que antecedeu a sua luta. ''Treinar com eles acaba me dando mais ritmo para lutar. Ganho em velocidade. E acho que o fato de chegarmos antes aqui em Atenas também pode influenciar no resultado. Já nos acostumamos com o piso, que está um pouco escorregadio. Quem chegar em cima da hora vai sentir um pouco de insegurança'', comenta.
Segundo a atleta, ainda não deu nem tempo de pensar no que a Olimpíada representa. ''Está tudo tão igual na minha rotina de treinamento, que pareço estar disputando mais uma simples competição.''
São necessárias quatro lutas para chegar ao ouro olímpico. Na eliminatória, a atleta paranaense enfrenta a australiana Tina Morgan. Se ganhar, pega a vencedora do confronto entre a belga Laurence Rase e Natalya Mikryukova, do Uzbequistão. Também estão na mesma chave Zhong Chen, da China; Yoriko Okamoto, do Japão; Adriana Carmona, da Venezuela; e Sarah Stevenson, da Grã-Betanha.
Carreira Natália começou a lutar taekwondo por acaso, em novembro de 97. ''Fui assistir ao treino de uma amiga numa academia do lado de casa, e como amo esporte, tudo o que não sei, quero aprender. Fiz a matrícula, comecei a treinar e, motivada pelo meu treinador, Clóvis Ayres, estou aqui'', explica. ''Ele me disse que em dois anos seria campeã mundial. E, exatamente em dois anos venci o Mundial Júnior.''
Natália passou a integrar a seleção brasileira adulto aos 16 anos. Com 17, já conquistava o 3º lugar no Campeonato Mundial da Coréia. ''Com as vitórias, passei a ser atleta em tempo integral. O taekwondo passou a ser tratado como prioridade pra mim'', diz. Das 11 competições internacionais que disputou, Natália pisou no pódio nove vezes. ''Quem sabe não consigo aqui também.''

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