Federações colocam Rio contra a parede
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quarta-feira, 09 de abril de 2014
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra, Suíça - As federações esportivas resolveram apelar ao Comitê Olímpico Internacional (COI) para que comece a pensar em um "plano B" se os atrasos no Rio para sediar os Jogos de 2016 continuarem a se acumular - muitos, inclusive, já falam em levar algumas modalidades para São Paulo. Reunidos na Turquia, as entidades que representam os esportes olímpicos indicaram que o evento no Brasil é o mais atrasado em pelo menos 20 anos.
Na última terça-feira, o presidente da entidade que reúne os esportes olímpicos de verão, Francesco Ricci Bitti, já havia dado o alerta sobre o Rio. E nesta quarta, depois da reunião com os demais dirigentes, a decisão foi a de elevar o tom contra o Brasil. "Trata-se da situação mais crítica de uma preparação nos últimos 20 anos, pelo menos", disse Bitti, em um alerta que contrasta com o comportamento do COI de sempre evitar denúncias e de tratar dos problemas de forma sigilosa.
O grupo de federações ainda optou por pedir ao COI para pensar em um "plano B", caso os atrasos continuem, algo que poderia representar um importante prejuízo para o Rio e para a imagem do Brasil. A Federação Internacional de Handebol, por exemplo, pediu explicitamente para que o COI elabore uma estratégia para mudar de cidade e país caso o Rio não esteja pronto para 2016. Nem mesmo na Grécia, em 2004, quando o COI temia por um fracasso, entidades chegaram a falar em uma alternativa para Atenas.
Mas Bitti aponta que, por enquanto, a prioridade de um "plano B" não seria retirar o evento do Rio. "Ainda não estamos nessa fase", justificou. Mas, sim, transferir algumas modalidades para outras cidades é uma ideia que ganha cada dia mais força, segundo ele. Um exemplo é o caso do basquete, que pelos planos originais ficaria em Deodoro. O local sequer começou a ser construído e a federação internacional já fala em substituir por um ginásio em São Paulo.
O COI é contra a ideia, justamente porque um dos princípios da Olimpíada é de que ela é disputada em uma só cidade. Mas, dentro da entidade, dirigentes já admitem que podem ter de aceitar essa opção se ficar claro que as instalações esportivas não ficarão prontas.
O Rio levou cinco anos para apresentar um orçamento para o evento, mas ainda está incompleto. A Autoridade Pública Olímpica teve sua chefia trocada e, ainda assim, o presidente do Comitê Organizador do Rio, Carlos Arthur Nuzman, passou os últimos meses insistindo que "tudo estava sob controle".
Reunidas nesta quarta-feira na Turquia, as entidades ainda solicitaram o presidente do COI, Thomas Bach, para que volte ao Brasil para vistoriar as obras. O novo comando da Comitê Olímpico Internacional esteve no Brasil em fevereiro, quando se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, justamente para pedir uma intervenção mais consistente do governo federal para que as obras de fato sejam realizadas.
Bach, que é conhecido por adotar um tom de críticas aos países emergentes, teria saído satisfeito com as garantias dadas pelo governo naquela ocasião. Agora, até ele começa a entender que o discurso brasileiro não condiz com as ações. Nesta quarta-feira, concordou que a situação é alarmante e que terá de tomar providências. "Eu já disse em janeiro que nenhum dia poderia ser perdido. Há poucas semanas, nossa comissão visitou o Rio e disse que nenhuma hora poderia ser perdida. Compartilhamos das preocupações. Chegou o momento de agir", avisou.


