Federação: um baú de irregularidades
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domingo, 14 de dezembro de 1997
Filipe Pimentel Curitiba 
Marcelo AlmeidaSó problemasO presidente afastado da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves MouraO catarinense Onaireves Rolin de Moura assumiu a presidência da Federação Paranaense de Futebol (FPF) em 1985, há exatos 12 anos, substituindo o então presidente Aroldo Alberge. Naquela época o futebol paranaense vivia um de seus melhores momentos. O Coritiba venceu o Campeonato Brasileiro, derrotando nos pênaltis, o Bangu, em pleno Maracanã. Naquela época, também, as finanças da entidade estavam em ordem. Entretanto, de lá para cá, após Moura assumir, as dívidas começaram a crescer, crescer, crescer...
Hoje calcula-se que a dívida da Federação Paranaense de Futebol, uma das mais antigas do Brasil (60 anos recém-completados), é de R$ 17 milhões. Porém há os otimistas que afirmam que ela não ultrapassa os R$ 8 milhões. Dívidas, mesmo que estratosféricas, são normais. Anormal é dar calote nos credores.
A lista de credores da FPF é imensa. Vai desde a Rodojan Transporte, que tem a receber R$ 22,47, passando pela Veridiane A Rigor Locação de Trajes, que não recebeu os R$ 17 mil referentes aos 250 trajes locados para a festa de 60 anos da FPF, até o HSBC Bamerindus, o maior credor particular, que tem a receber R$ 35 mil. Mas não são só as empresas particulares que têm dinheiro para receber da Federação. Os governos municipal e federal, além do Atlético Paranaense são grandes credores.
A FPF deve para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) cerca de R$ 4 milhões, que já estão sendo cobrados na Justiça. A prefeitura de Curitiba não recebe o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) desde 1991. Hoje, a dívida está calculada em aproximadamente R$ 1,2 milhão. Como resultado do não-pagamento desta dívida, Onaireves Rolim de Moura foi afastado do comando da FPF e substituído pelo procurador aposentado, Vicente Paschoal Rodacki.
O Atlético Paranaense também tem dinheiro para receber. São aproximadamente R$ 4 milhões, referentes a uma ação movida por descumprimento do acordo de uso do Estádio Pinheirão, onde o clube teria 10% sobre todas as vendas da FPF. A entidade não pagou, o Atlético foi à Justiça, que deu ganho de causa ao clube. A FPF não pagou e novamente o Atlético entrou na Justiça, que acabou penhorando o Estádio, até que esta dívida fosse paga.
Embora o Departamento Financeiro da Federação Paranaense de Futebol acumule dívidas e mais dívidas, o presidente da entidade não se furta de gastar rios de dinheiro em uma festa black-tie para comemorar os 60 anos da FPF. Só para se ter uma idéia, o bufê da festa custou aproximadamente R$ 60 mil. Mas a conta não pára por aí. Onaireves Rolim de Moura autorizou a empresa Veridiane a Rigor a locar smokins e vestidos sociais para os convidados da festa.
Foram 200 smoking locados, muitos para radialistas e jornalistas do Paraná e até de outros Estados. Também foram locados 50 vestidos para mulheres. No final, a conta foi de R$ 17 mil. Agora adivinhe. Claro, a Veridiane ficou a ver navios. Apenas uma parte foi paga e o cheque garantia, dado pela FPF antes das locações, foi protestado. Ainda faltam R$ 5 mil a ser saldados. Para completar a gastança, Moura ainda presenteou amigos e colaboradores com medalinhas de ouro. Foram mais de 100.
Estas dívidas acabaram chamando a atenção dos deputados estaduais, que podem iniciar uma investigação para saber o que realmente aconteceu dentro da Casa do futebol do Paraná. A proposta partiu do deputado do PT, Florisvaldo Fier, Doutor Rosinha, que vem mantendo contatos com outros parlamentares. Segundo o deputado, a situação é passível de interferência da Assembléia Legislativa, já que algumas dívidas envolvem recursos públicos.


