Federação rejeita participação de meninas
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quarta-feira, 10 de novembro de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
A presença de Gabriela Fernandes Vila, 10 anos, em campeonatos de futsal disputados por meninos está ameaçada. No que depender da Federação Paranaense de Futebol de Salão (FPFS), ela não poderá continuar disputando competições masculinas organizadas por entidades filiadas à Federação. Gabriela defendeu a equipe do Pinheirinho/Ovetril, de Ibiporã, no Campeonato Metropolitano de Futsal de Londrina, promovido pela Liga Metropolitana. O Pinheirinho perdeu para a AABB por 4 a 3, na semifinal da categoria Sub-11, disputada na segunda-feira à noite.
O superintendente da FPFS, Antônio Moreira, explicou que todos os regulamentos da entidade deixam claro a impossibilidade de pessoas do sexo feminino atuarem em competições masculinas, e vice-versa. ''Nenhum esporte oficial no mundo permite que isso aconteça'', completou. Entre os motivos que impedem essa miscigenação em quadra, estariam a maior força física e a malícia dos meninos.
Moreira observou que já houve um caso semelhante em Londrina. Segundo ele, uma menina foi inscrita no Campeonato Citadino masculino. Ela chegou a atuar na primeira partida da competição, quando sua equipe saiu vitoriosa. ''O adversário entrou com um recurso e ganhou os pontos da partida''.
O superintendente classificou a família de Gabriela como ''irresponsável'' por permitir que ela dispute partidas entre meninos. O analista de sistemas, Gerson Vila, pai de Gabriela, demonstrou tranquilidade ao comentar a afirmação de Moreira. Ele observou que acompanha a filha nos treinos e jogos e nunca houve qualquer problema com os meninos. ''Confio nos técnicos e pessoas que trabalham com minha filha'', declarou.
Vila acrescentou que a educação transmitida a Gabriela é suficiente para que ela não permita que os meninos, adversários ou companheiros de time, faltem com respeito dentro de quadra. ''Apesar de gostar muito de futebol, a Gabriela é muito responsável tanto fora como dentro de casa. E, além disso, ela não perde seu jeito de menina'', ressaltou o analista de sistemas. ''Essa questão da malícia dos meninos está mais na cabeça dos adultos do que das crianças''.
O presidente da Liga Metropolitana de Futsal, Osmar Obuti, já adiantou que, antes de promover o próximo campeonato, estará consultando a FPFS para se orientar sobre a presença de mulheres nos campeonatos masculinos.


