A Federação Paranaense de Futebol poderia seguir o exemplo da co-irmã Federação Baiana: a primeira entidade no Brasil a se profissionalizar. Depois anos enfrentando uma grave crise financeira, em 1º de janeiro de 98, a profissionalização foi oficializada. A administração é enxuta: um presidente, que recebe R$ 8 mil, um vice-presidente (sem função), e dois diretores (técnico e administrativo-financeiro), que rebem R$ 4,5 mil cada. Todos tem outras atividades, mas são obrigados a dar expediente diário das 13 às 19 horas. ‘‘Muitas vezes trabalhamos até às 24 horas’’, afirmou o presidente Virgílio Elísio da Costa Neto.
Os primeiros passos para a profissionalização da Federação Baiana de Futebol começaram em 94, quando o Costa Neto foi eleito presidente da entidade. ‘‘Eu comecei a perceber que as pessoas que haviam passado pela federação comandavam a entidade de forma bastante amadora. Havia muita desorganização’’, relembra o presidente. Suas primeiras ações foram de organizar a casa. ‘‘O primeiro passo foi reduzir o número de diretores, de 14 para apenas três’’, disse.
Em seguida, Costa Neto, passou a discutir a viabilidade de profissionalizar a entidade. Ele passou a organizar seminários e debates sobre a situação em que se encontrava a entidade. ‘‘Um dos assuntos era sobre a ‘falsa abnegação’ dos diretores. Você já viu diretor de banco que não seja abnegado? Não existe. Concluímos que os funcionários deveriam ser remunerados’’. Costa Neto também realizou uma ampla auditoria na entidade e uma avaliação sobre as perdas que a FBF teria se fosse profissionalizada. ‘‘Nossa preocupação era com os tributos que passaríamos a ter de pagar com a profissionalização’’, explicou Costa Neto.
Em 97, vários setores, como os departamentos de contabilidade, assessoria de imprensa e marketing, foram totalmente terceirizados. A estrutura profissional foi oficializada em julho de 97, quando os 82 filiados aprovaram em assembléia a alteração dos estatutos, o que permitiu a profissionalização. ‘‘Mas optamos por profissionalizar em 98 para escaparmos do ano fiscal de 97’’, assinalou.
Hoje grande parte dos campeonatos organizados pela nova Federação - desde as categorias infantis até o profissional - estão sendo vendidos para emissoras de TV. ‘‘O campeonato intermunicipal de seleções teve os jogos da oitavas de final e finais vendidos para uma emissora’’, afirmou Costa Neto, que preferiu não revelar valores. Hoje a FBF está negociando a venda do Campeonato Baiano de Futebol Profissional com três grandes emissoras de televisão. ‘‘Os valores do contrato ainda estão sendo negociados’’, disse.

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