Federação afasta Comissão de Árbitros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de setembro de 2005
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Toda a Comissão de Árbitros da Federação Paranaense de Futebol (FPF) foi afastada ontem, incluindo o presidente do órgão, Valdir de Souza. A presidência da FPF tomou a decisão depois que o próprio Souza enviou à tarde um ofício no qual requisitava seu afastamento e o do restante da comissão até que o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná conclua as investigações sobre um suposto esquema de favorecimento na Série Prata do Campeonato Paranaense.
O inquérito foi aberto depois que um dirigente do Operário de Ponta Grossa afirmou num programa de televisão que times da Série Prata eram beneficiados pela arbitragem após acertos financeiros. A situação se complicou ontem, quando jornais de Curitiba divulgaram entrevista de José Francisco de Oliveira, ex-árbitro da FPF.
Ele relatou que participou do esquema de favorecimento e que Souza sabe de tudo. ''Souza decidiu pedir seu afastamento mesmo sem ter chegado à Federação nenhuma denúncia com provas'', comentou Onaireves Moura, presidente da FPF. ''A atitude dele tem que ser louvada, porque ele deixou claro que quer transparência total no processo do TJD. Se não for constatada nenhuma irregularidade, ele voltará ao cargo''.
''Com o afastamento da comissão, tenho certeza de que vossa senhoria (Moura) terá mais transparência para apuração dos fatos divulgados nas matérias mencionadas, bem como a verdade'', diz um trecho do ofício assinado por Souza. ''Tal decisão (o pedido de afastamento) foi tomada também para o bom andamento do campeonato da federação (a Série Prata), pois até a presente data, não registramos problemas em jogos com arbitragem''.
Provisória Até que o inquérito do TJD seja concluído, as escalas de arbitragem dos jogos dos campeonatos organizados pela FPF serão feitas por uma comissão provisória, formada por Henrique Mehl Amâncio, Dilon Valdrigues e Paulo Cezar Silva. Em documento divulgado à imprensa, a presidência da FPF ressaltou que os sorteios das escalas continuarão sendo realizados na sala do TJD, ''na presença de quem possa se interessar''.
Em entrevista coletiva, Moura deixou subentendido que acredita que as denúncias de Oliveira foram motivadas por questões pessoais. O ex-árbitro foi afastado pela FPF no primeiro semestre, depois que deu gol para o Atlético em uma jogada na qual a bola saiu pela linha de fundo, numa partida do Furacão contra o Império do Futebol, pelo Campeonato Paranaense.
Segundo Moura, Oliveira conseguiu revogar o afastamento através do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A FPF então determinou que o ex-árbitro se apresentasse para uma avaliação física. De acordo com Moura, Oliveira não quis fazer o teste. ''Ele fez ameaças, disse que ia 'explodir' a federação'', disse o presidente da FPF.
À imprensa, Oliveira disse que tem provas das denúncias que fez e que virá ao Brasil (ele está morando na Europa) em breve para provar o que disse. ''A FPF tem todo o interesse em ouvi-lo e, se ele tiver provas, queremos vê-las'', afirmou Moura. O caso será investigado também pela Justiça Comum o inquérito do TJD será encaminhado ao Ministério Público.


