Fedatto é o eterno capitão coxa-branca
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de outubro de 1998
Edmundo Inagaki 
A figura do eterno capitão Aroldo Fedatto retrata a história de glórias do Coritiba Foot Ball Club, que completa hoje 89 anos de existência. Zagueiro-central de categoria, acostumado a esbanjar técnica e vigor ao invés de pontapés, Fedatto reinou absoluto pelos gramados paranaenses por quase 20 anos.
Desde a época de juvenil (em 1939), passando pela profissionalização (1944), até o encerramento da carreira (1958), Fedatto sempre esteve identificado com as cores alviverdes.
O Coritiba é toda a minha vida. Me dediquei intensamente ao clube, onde fui sete vezes campeão (46/47/51/52/54/56/57), porque naquele tempo o futebol era bem diferente do que é hoje. O esporte era quase amador, romântico, todos os jogadores tinham outra profissão, os treinos aconteciam duas vezes por semana e os jogos só aos domingos. O futebol atual anda muito pesado e violento. Ele exige mais empenho e às vezes parece até uma briga, reconhece o ídolo da velha guarda.
Prestes a completar 74 anos, no próximo dia 16, Fedatto guarda consigo alguns álbuns de recortes, onde coleciona passagens memoráveis como jogador do Coxa. Só tive sucessos em minha vida esportiva e graças aos amigos que fiz no futebol minha loja de material esportivo deu certo. Além dos títulos estaduais conquistados com o Coritiba, das convocações para a Seleção Paranaense, me recordo de quando fui emprestado ao Botafogo do Rio, em 1948, para participar de uma excursão vitoriosa à Bolívia. Igualmente importante foi o prêmio Belfort Duarte, de melhor jogador, em 51.
O craque dos anos dourados lembra com saudade do episódio em que foi intimado por um abaixo-assinado, com cerca de 500 adesões, para assumir o a função de técnico do time em 58. Tinha acabado de parar de jogar, quando recebi a convocação, com a assinatura do Couto Pereira e de outros diretores e conselheiros do clube. Os torcedores também participaram do manifesto. O treinador uruguaio Felix Magno tinha ido embora e o time estava sem comando. Minha estréia foi num amistoso contra a Portuguesa de Deportos, que vencemos por 5 a 1, no campo do Atlético. Logo depois, o Magno voltou e reassumiu a equipe.
Modesto, Fedatto escalou, sem se incluir, o Coritiba ideal: Nivaldo; Nico e Carazzai; Tonico, Arion e Janguinho; Babi, Merlin, Neno, Ivo e Altevir. Não gostaria de escolher o Coritiba de todos os tempos, pois cometeria algumas injustiças. Mas esses jogadores eu conheço bem, jogamos juntos. É um grande time.


