FBI aperta o cerco a Ricardo Teixeira
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - O FBI detectou três contas secretas controladas pelo ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira na Suíça e pediu oficialmente para a Justiça de Berna que repasse aos Estados Unidos os detalhes das movimentações, extratos bancários e até mesmo pessoas que poderiam ter sido beneficiadas com o valor. Como o portal Estadão.com revelou ontem com exclusividade, a Justiça norte-americana suspeita que o cartola tenha usado um "laranja" com escritório no centro do Rio para movimentar o dinheiro.
A ação faz parte de uma ofensiva que congelou mais de US$ 50 milhões em contas secretas mantidas pela Fifa e seus cartolas. A Justiça não dá detalhes se as contas de Teixeira estariam entre as que tiveram seus ativos congelados. Mas segundo o jornal suíço Tages Anzeiger, o brasileiro pode ser um dos nomes na lista das contas bloqueadas.
Segundo documentos obtidos pela reportagem, o FBI identificou contas controladas por Teixeira em pelo menos três bancos: o UBS, o Banca del Gottardo e o BSI, comprado este ano pelo brasileiro BTG Pactual.
Em apenas duas dessas contas, mais de US$ 800 mil foram transferidos de contas nos Estados Unidos para a Suíça, envolvendo a Somerton, empresa controlada pelo também brasileiro José Margulies - conhecido como José Lázaro. Ele é suspeito de agir como testa de ferro para o empresário José Hawilla, e realizava os pagamentos de propinas para dirigentes do futebol mundial. A empresa de fachada de Hawilla, portanto, também teria abastecido as contas suíças de Teixeira.
O FBI também suspeita que Teixeira usaria um nome de fachada para não ter sua identidade revelada. Mas aparecia como beneficiário das contas. O "laranja" seria Willy Kraus, que morreu em novembro e era dono da Kraus Corretora de Câmbio, no centro do Rio.


