Fazendo as pazes
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quarta-feira, 27 de julho de 2016
Eduardo Geraque<br>Folhapress 

Rio de Janeiro - O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), pediu desculpas formais aos atletas australianos, na tarde de ontem, em cerimônia na Vila Olímpica. No fim de semana, a delegação da Oceania fez duras críticas aos apartamentos destinados aos atletas que, para eles, "tinham quartos e apartamentos inabitáveis".
Ao pedir desculpas, o prefeito carioca disse que "não queria ter quase criado um incidente diplomático". Em tom amistoso, enquanto a dirigente australiana Kitty Chiller deu um canguru de pelúcia com luvas de boxe a Paes, ela ganhou as chaves da cidade do Rio de Janeiro. "É a única delegação que vai receber isso", declarou Paes.
O canguru boxeador é usado como um símbolo do fairplay na Austrália desde o início dos anos 1980. "Está tudo muito bom. Os quartos estão ótimos", afirmou o experiente jogador de hóquei Jaime Dwyer, que vai para sua quarta Olimpíada.
Ele foi um dos vários atletas que participaram da cerimônia de entrega das chaves da cidade, organizada pela prefeitura do Rio para selar a paz com os australianos. Marcado para às 13h, Paes chegou ao local com 25 minutos de atraso. Por pouco, os atletas australianos, que tinham treinos agendados para o período da tarde, não haviam deixado o local. Toda a delegação australiana chegou 15 minutos antes do agendado. Dos 31 prédios da Vila Olímpica na Barra da Tijuca seis ainda não foram liberados.
IRREGULARIDADES
O Ministério do Trabalho fez uma blitz na Vila Olímpica e identificou 630 trabalhadores sem registro, após os problemas relatados pelas delegações ao chegarem ao local. O grupo está desde o último sábado fazendo os reparos de emergência nos apartamentos com problemas.
Segundo o auditor fiscal Hércules Terra, a multa para o Comitê Rio-2016 e para as empresas terceirizadas que operam na vila é de R$ 500 por trabalhador. Os autuados podem recorrer da decisão.
O grupo de auditores que estive na tarde de ontem na Vila Olímpica também identificou a realização de jornadas de 23 horas. "Os registros mostram pontos assinados das 7h de um dia até 6h do dia seguinte", disse Terra. Outro problema são as grandes filas na hora do almoço. "O trabalhador está ficando 40 minutos na fila da refeição. Depois que ele entra, ele tem só 20 minutos para comer e voltar correndo ao trabalho", afirma.


