Arquivo FolhaSuplente de luxoO artilheiro Didi (primeiro à esq.) aguarda uma chance para jogar como titular no Corinthians Além da vantagem de jogar por dois resultados iguais na semifinal do Campeonato Paulista - dois empates ou uma vitória e uma derrota pelo mesmo saldo de gols - e da defesa menos vazada da competição (apenas dez gols sofridos), São Paulo e Corinthians, que enfrentam Palmeiras e Portuguesa, respectivamente, têm mais coisas em comum.
Com sistemas táticos parecidos - jogam apenas com um autêntico atacante, Dodô e Mirandinha, respectivamente -, as duas equipes mantêm seus artilheiros na reserva (França e Didi) e adaptaram seus esquemas às qualidades dos jogadores mais talentosos do time - Denílson virou atacante no São Paulo e, Marcelinho Carioca, armador de jogadas no Corinthians.
Os dois craques são os principais trunfos dos favoritos à disputa do título. ‘‘Em alguns times você tem de adaptar os jogadores a um esquema tático, mas, no São Paulo, eu adaptei o sistema às características dos atletas’’, disse o técnico Nelsinho Baptista. O treinador diz que encontrou a posição ideal para o jogador ter melhor rendimento. Denílson, mais próximo à area do adversário, já marcou seis gols.
No Corinthians, Marcelinho Carioca ficou mais longe do gol, mas todo o esquema do time ainda gira em torno dele. Continua cobrando faltas, escanteios e pênaltis. Além disso, hoje, o craque é obrigado a acompanhar as subidas do lateral adversário e armar as jogadas para os companheiros concluírem. ‘‘É uma função que eu desempenhava no Flamengo, no começo de carreira’’, diz Marcelinho. O técnico Wanderley Luxemburgo também deu a braçadeira de capitão a Marcelinho e transformou-o em porta-voz do treinador em campo.
Além de Denílson e Marcelinho, São Paulo e Corinthians têm o luxo de deixar os artilheiros do time no banco de reservas. França, que no início da temporada quase teve o passe cedido ao Inter-RS, já fez oito gols, mas ainda é a sombra do titular Dodô. O corintiano Didi, com cinco gols em cinco partidas, também espera por uma chance.
Por foraPalmeiras e Portuguesa, que terão de inverter a vantagem dos seus adversários, também têm suas armas. Com uma equipe jovem e com pouca experiência em decisões, a equipe do técnico Candinho aposta na versatilidade do veterano Evair para surpreender.
Além de bom finalizador - marcou quatro gols na competição -, o atacante, de 32 anos, campeão brasileiro pelo Vasco no ano passado, também sabe fazer assistências para companheiros como o atacante Leandro. Evair tem boa movimentação na frente e é preocupação certa para os zagueiros adversários.
Apesar de ter feito oito gols, alguns decisivos, e ser o grande ídolo da torcida, o palmeirense Paulo Nunes diz que não se sente totalmente à vontade no esquema armado pelo técnico Luiz Felipe Scolari: ‘‘Estou tendo de voltar para marcar o lateral e, às vezes, fico sem pernas para atacar.’’
PreparaçãoSe depender dos dirigentes do Corinthians, a equipe deve fazer no sábado a primeira partida contra a Portuguesa pela semifinal do Paulista e, a segunda, no domingo do fim de semana seguinte. Tudo isso porque na quinta-feira, dia 23, o Corinthians enfrenta o Cruzeiro, pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil. As datas da fase semifinal serão definidas hoje pela Federação Paulista de Futebol (FPF).
O técnico Candinho, da Portuguesa, garantiu não estar preocupado com a vantagem do empate que o Corinthians conquistou. Ele lembrou que conseguiu reverter situação semelhante ao derrotar Cruzeiro e Atlético-MG no Brasileiro de 96.
O meia Zinho, do Palmeiras, só saberá hoje pela manhã se terá condições de enfrentar o São Paulo, no fim de semana. O jogador teve uma contratura muscular na coxa direita no início do jogo contra o Ituano, domingo.
No São Paulo, o meia Carlos Miguel também ficará sabendo hoje o resultado da ressonância magnética feita ontem pela manhã na sua coxa esquerda.

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