Favoritismo? Lattari não quer nem saber
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
Agência Estado 
O técnico Radamés Lattari Filho, da seleção brasileira masculina de vôlei, rejeitou ontem o favoritismo dado a sua equipe na luta por uma vaga nas semifinais do Campeonato Mundial do Japão. Ele faz questão de alertar que as quartas-de-final serão uma etapa muito difícil. Agora são sete jogos, sete finais de campeonato, resumiu o treinador, no início da conversa que teve ontem com os jogadores da seleção. O primeiro adversário da maratona de jogos é o Canadá, a partir de 1h30 da madrugada de terça para quarta-feira, em Hiroshima, com transmissão pela TV Globo.
O treinador considera os cubanos os verdadeiros favoritos e acha que os outros sete times têm chances iguais de vencer. Em primeiro lugar, devemos dar graças a Deus de estarmos neste grupo, porque o outro é muito mais difícil, acredita Radamés. Acho que dos cinco grandes candidatos ao título mundial, Itália, Rússia, Holanda e Iugoslávia estão lá, prossegue. O outro é Cuba.
Radamés advertiu também os jogadores que o Canadá não é o mesmo time que disputou a Copa América da Argentina, em outubro, e que perdeu para o Brasil. É outro time totalmente diferente, diz. Mudaram os seis jogadores e tenho informações que estão jogando muito bem. Para os jogadores brasileiros, a tabela de jogos das quartas-de-final foi boa para a seleção, principalmente porque vai enfrentar duas equipes asiáticas seguidas (primeiro a Coréia do Sul, na quinta-feira, e depois Japão, no sábado).
Radamés também concorda, mas lamenta apenas não ter tempo de fazer um treino tático entre os jogos com o Canadá e com a Coréia. É um pouco diferente bloquear as equipes asiáticas, o tempo de bola é outro, comenta. Gostaria de preparar melhor o time para enfrentar a Coréia, mas será impossível, conforma-se o treinador.
O horário dos jogos, aliás, é um dos motivos de preocupação para a seleção brasileira, que vai jogar algumas vezes com intervalo de menos de 24 horas. Esta é uma das dificuldades, admite o treinador. Vai ganhar aqui quem souber recuperar-se melhor, quem tiver um grupo mais homogêneo e quem não tiver problemas de contusão.
Humildade - O técnico canadense Garth Pischke mostrou humildade. Ele acha que seu time pode vencer todas as equipes do grupo, com exceção de Cuba e Brasil. São duas excelentes equipes, que estão sempre bem, acredita. A vantagem do Brasil é que o time não tem apenas os seis titulares, tem muitas opções para mudar o jogo quando preciso. O Canadá jogou a fase de classificação contra a Itália, Estados Unidos e Tailândia. Perdeu da Itália e dos Estados Unidos e venceu a Tailândia. Segundo ele, a derrota para os EUA está entalada. Saímos na frente em todos os sets, lembra. Perdemos por circunstâncias.
Tabela - Os jogos do Brasil na nova fase do Mundial são os seguintes: amanhã, Canadá; quinta-feira, Coréia (4h30, horário de Brasília); sábado, Japão (7 horas); domingo, Bulgária (4 horas); dia 24, Cuba (1h30); dia 25, Argentina (0h30); e dia 26, Espanha (0h30).


