A primeira divisão não é um privilégio de capitais ou cidades grandes. Em Londrina, é comum o torcedor relacionar o que a cidade representa no Estado com a ausência de um time na Série A do Campeonato Brasileiro. ''Puxa vida, uma cidade como esta sem um time na primeira divisão!'', é o comentário mais frequente. E não é justo condenar quem pensa assim. Afinal, a cidade ostenta o ''título'' de terceira maior cidade do Sul do País, é exemplo internacional de combate à corrupção, tem um comércio dinâmico, tem indústrias, é pólo de uma região de quase 1 milhão de habitantes... O raciocínio, embora ligeiramente superficial, tem lá as suas verdades.
Cidades médias, que polarizam regiões do interior formadas por municípios menores, festejam os benefícios que seus clubes de primeira divisão proporcionam no dia-a-dia da população. Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, e Criciúma, no Sul catarinense, são os melhores exemplos disto. A reportagem da Folha decidiu, num primeiro momento, mapear as razões pelas quais os catarinenses estão plenamente satisfeitos com a presença do Criciúma na Série A do Brasileiro. Uma cidade de 170 mil habitantes, segundo o censo de 2000, quase três vezes menor do que Londrina, colhe muitas divisas, e não apenas econômicas, mas sobretudo de marketing. ''Este time é nosso cartão-postal todas vezes que deixamos Santa Catarina'', garante Henrique Vargas, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), entidade que congrega 850 sócios, entre lojistas e prestadores de serviço.
Embora não exista um documento oficial apontando a exposição de mídia, é fato que a cidade ganhou visibilidade com o Criciúma na Série A. O ex-jogador Edemilson Mondardo, assesssor da presidência do clube, é quem confirma a informação: ''Não existe uma pesquisa referente à medição de mídia, mas é notório que a exposição do Criciúma, após a conquista da Série B , em 2002, e seu retorno à Série A, ganhou um espaço bem valioso na mídia nacional'', garantiu. ''O nome do clube leva o nome da cidade, com isso, levamos tanto o nome do clube como da cidade não só no Brasil, como também no exterior''.
E não é pra menos. No Campeonato Brasileiro deste ano, disputado no sistema de pontos corridos, cada clube tem um calendário garantido de 46 datas. Grande parte destes jogos, seja em tevê aberta (Rede Globo ou Record), tevê fechada (Sportv) ou no sistema pague-para-ver (pay-per-view), é transmitido ao vivo para todo o País.
Segundo Mondardo, ficou estabelecido que o Criciúma teria direito a 40 jogos televisionados. ''E não é somente por causa destes jogos que o nome da cidade ficou mais conhecido. Mas também pela campanha e organização do clube. O Criciúma hoje cumpre suas obrigações sociais, paga em dia seus funcionários, e isso são coisas que o público percebe'', ponderou.
Enquanto o Londrina recebeu pouco mais de R$ 200 mil pelos direitos de transmissão dos jogos da Série B, o Criciúma arrecadou cotas bem mais lucrativas na primeira divisão. De acordo com o assessor, o clube recebeu R$ 2 milhões, pagos em 10 parcelas de R$ 200 mil. ''Conforme nossa colocação na competição deste ano, reivindicaremos uma cota maior para o próximo ano'', adiantou Mondardo.
O título de campeão da Série B, e a consequente classificação para a divisão de elite, também alavancou as vendas dos produtos que levam a marca do Tigre, como é mais conhecido o clube no Estado catarinense. ''Após a conquista da Série B, foi uma avalanche de vendas de camisas do clube. A empresa que confecciona o material não conseguiu dar conta da demanda'', afirmou. A diretoria não tem uma estimativa oficial, mas garante que a loja do clube vem registrando um crescimento sigificativo no volume de vendas em relação ao ano passado. ''Neste ano, as vendas acusam melhoras conforme o momento da equipe no campeonato'', completa o assessor.

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