Fãs lembram morte de Ayrton Senna
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sexta-feira, 30 de abril de 1999
Agência Estado 
Se depender da Federação Internacional de Automobilismo, ou dos próprios dirigentes das equipes de Fórmula 1, Ayrton Senna não será lembrado hoje por ninguém. No quinto ano da sua morte, a única manifestação prevista na Itália é uma missa que será rezada no Parco delle Acque Minerali, às 14h15, a cerca de 100 metros de onde a Williams de Senna colidiu contra o muro da curva Tamburello. A missa é uma iniciativa de fãs do piloto.
O mesmo grupo estará presente na Igreja Croce in Campo, em Ímola, às 11 horas, para acompanhar a missa que será rezada para lembrar a morte do austríaco Roland Ratzemberger, também falecido no circuito Enzo e Dino Ferrari, um dia antes de Senna.
Perícia/negligência - Os técnicos italianos foram bem mais rápidos que a justiça do país na apuração do que ocorreu no acidente com Ayrton Senna. Pouco mais de dois meses depois da morte do piloto, o grupo que investigou as causas, usando sofisticada tecnologia, já tinha o culpado: a coluna de direção do carro da Williams. O trabalho coordenado pelo engenheiro e ex-projetista da Ferrari, o renomado Mauro Forghieri, descobriu que a coluna se rompeu na curva Tamburello, tornando a Williams sem controle.
Detalhes precisos da dinâmica do ocorrido puderam ser reconstituídos: 11 segundos depois de cruzar a linha de chegada, já na Tamburello e em sexta marcha, a 310 km/h, a coluna se rompe. Senna permanece com o volante virado no sentido da curva, para a esquerda, mas as rodas não obedecem, lançando o carro em linha reta. Ao perceber que o choque seria inevitável, o piloto freia com violência, ao mesmo tempo em que reduz de sexta para terceira marcha. A velocidade de impacto contra o muro desprotegido de pneus se dá a 216 km/h e o ângulo formado entre a Williams e o muro não é desfavorável: 22 graus.
Senna necessitava de mais espaço para as mãos não baterem no cockpit enquanto pilotava. A solução foi aumentar a coluna de direção em cerca de cinco centímetros. Os técnicos da Williams utilizaram um tubo metálico de diâmetro menor que o original para a emenda. Exames no microscópio eletrônico, realizados na Universidade de Bolonha e no Centro dellAeronautica, próximo a Roma, revelaram fadiga do metal do tubo auxiliar em 60% do ponto de conexão com o original. Foi nesse ponto que a coluna se rompeu.
Apesar de todos os contras, a morte de Senna decorreu de uma fatalidade. No choque, a barra que conecta a roda dianteira direita ao conjunto mola-amortecedor soltou-se desse conjunto, projetando-se na direção da sua cabeça. Ao atingir o capacete, a ponta da barra perfurou a viseira e atingiu o crânio de Senna, penetrando sobre o supercílio direito. Ao mesmo tempo, comprimiu a cabeça contra o cockpit, causando fratura generalizada da base craniana.
A desaceleração violenta gerada pelo impacto contra o muro da Tamburello não teria sido fatal para Senna. O exame feiro pelo médico Domenico Cosco revelou que a não ser o crânio, não houve nenhuma outra fratura óssea ou mesmo lesão visceral que comprometesse sua vida.


