Se depender da Federação Internacional de Automobilismo, ou dos próprios dirigentes das equipes de Fórmula 1, Ayrton Senna não será lembrado hoje por ninguém. No quinto ano da sua morte, a única manifestação prevista na Itália é uma missa que será rezada no Parco delle Acque Minerali, às 14h15, a cerca de 100 metros de onde a Williams de Senna colidiu contra o muro da curva Tamburello. A missa é uma iniciativa de fãs do piloto.
O mesmo grupo estará presente na Igreja Croce in Campo, em Ímola, às 11 horas, para acompanhar a missa que será rezada para lembrar a morte do austríaco Roland Ratzemberger, também falecido no circuito Enzo e Dino Ferrari, um dia antes de Senna.
Perícia/negligência - Os técnicos italianos foram bem mais rápidos que a justiça do país na apuração do que ocorreu no acidente com Ayrton Senna. Pouco mais de dois meses depois da morte do piloto, o grupo que investigou as causas, usando sofisticada tecnologia, já tinha o culpado: a coluna de direção do carro da Williams. O trabalho coordenado pelo engenheiro e ex-projetista da Ferrari, o renomado Mauro Forghieri, descobriu que a coluna se rompeu na curva Tamburello, tornando a Williams sem controle.
Detalhes precisos da dinâmica do ocorrido puderam ser reconstituídos: 11 segundos depois de cruzar a linha de chegada, já na Tamburello e em sexta marcha, a 310 km/h, a coluna se rompe. Senna permanece com o volante virado no sentido da curva, para a esquerda, mas as rodas não obedecem, lançando o carro em linha reta. Ao perceber que o choque seria inevitável, o piloto freia com violência, ao mesmo tempo em que reduz de sexta para terceira marcha. A velocidade de impacto contra o muro desprotegido de pneus se dá a 216 km/h e o ângulo formado entre a Williams e o muro não é desfavorável: 22 graus.
Senna necessitava de mais espaço para as mãos não baterem no cockpit enquanto pilotava. A solução foi aumentar a coluna de direção em cerca de cinco centímetros. Os técnicos da Williams utilizaram um tubo metálico de diâmetro menor que o original para a emenda. Exames no microscópio eletrônico, realizados na Universidade de Bolonha e no Centro dell’Aeronautica, próximo a Roma, revelaram fadiga do metal do tubo auxiliar em 60% do ponto de conexão com o original. Foi nesse ponto que a coluna se rompeu.
Apesar de todos os contras, a morte de Senna decorreu de uma fatalidade. No choque, a barra que conecta a roda dianteira direita ao conjunto mola-amortecedor soltou-se desse conjunto, projetando-se na direção da sua cabeça. Ao atingir o capacete, a ponta da barra perfurou a viseira e atingiu o crânio de Senna, penetrando sobre o supercílio direito. Ao mesmo tempo, comprimiu a cabeça contra o cockpit, causando fratura generalizada da base craniana.
A desaceleração violenta gerada pelo impacto contra o muro da Tamburello não teria sido fatal para Senna. O exame feiro pelo médico Domenico Cosco revelou que a não ser o crânio, não houve nenhuma outra fratura óssea ou mesmo lesão visceral que comprometesse sua vida.

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