'Farofeiros' fretam ônibus para ir a São Paulo
Janaina Tupan Frare
De Curitiba
Especial para a Folha
Um grupo de 36 atletas paranaenses fretou um ônibus para ir a São Paulo com um único objetivo: participar da 75ª Corrida Internacional de São Silvestre. A saída de Curitiba estava prevista para às 23h30 de ontem. Até a capital paulista, um longo caminho percorrido em aproximadamente sete horas de viagem. Chegando lá, um banho, um cochilo e já estão prontos para entrar em ação. Mas nem todo esse desgaste desanima os corredores.
O organizador da viagem, o fotógrafo Mário Dittman, 52 anos, resolveu deixar a máquina fotográfica de lado para correr os 15 quilômetros da prova. Ele começou a praticar o esporte há 13 anos. Na primeira vez que foi à São Silvestre, jurou não voltar mais. Só que já está participando pela quarta vez. Já entendi o espírito da corrida. É uma corrida com barreiras, brinca.
Francisco de Assis Ribeiro, 75 anos, vai participar da prova pela 11ª vez. A brincadeira começou quando me aposentei. Decidi que não ficaria à toa, diz o vovô da excursão, que hoje enfrenta sérios problemas com a família por causa do atletismo. Na Maratona de Curitiba, tive que fugir de casa. Pulei a janela mesmo. A família de seo Francisco acha que ele já passou da idade de correr. Mas seo Francisco mostra que está em plena forma. Em fevereiro deste ano participou de uma super-maratona. Correu 50 quilômetros, de uma só vez, no Rio Grande do Sul.
A mais nova integrante do grupo, Ana Paula Andrade, 18 anos, espelha-se em seo Francisco e também mostra o seu entusiasmo pela corrida. Esta é a minha primeira vez. Estou com aquele friozinho na barriga, diz ela.
Durante a viagem, cada atleta leva seu lanche. Seo Francisco prefere as bolachas e chá, mas há também os farofeiros. Dependendo da fome, a gente até pára em algum restaurante de estrada para comer, diz ele.





