Farah quer comitê gestor para o futebol
São Paulo, 30 (AE) - O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah, pretende criar um Comitê Executivo para administrar o futebol brasileiro nos moldes das competições internacionais até o final de 1998. Farah, que foi reeeleito em janeiro último por mais quatro anos à frente do futebol mais lucrativo do País, disse em entrevista exclusiva à Agência Estado que a criação desse Comitê não seria uma espécie de poder paralelo à CBF, mas que teria como objetivo evitar a monopolização do futebol. "Sou a favor do poder coletivo e não presidencial", afirmou.
Segundo o dirigente, o Comitê seria um orgão formado por representantes do futebol nacional ligados à entidade e que teria o poder de decisão sobre competições, tabelas e regulamentos. Na entrevista abaixo, o polêmico dirigente que completa dez anos na presidência da FPF fala sobre a formação do Comitê Executivo, de sua eleição para a CBF, do Campeonato Paulista do ano 2.000 e de sua relação com Ricardo Teixeira. Agência Estado - O Sr. tem pretensão de disputar as eleições para a presidência da CBF? FARAH - Nesse momento não. A minha pretensão agora é a de unir o futebol brasileiro. Constituir o Comitê Executivo para administrar as competições nos moldes da FIFA e da UEFA e transformá-lo em entidade moderna. E para isso não preciso derrubar o Ricardo Teixeira, pelo contrário, sou favorável a um mutirão nacional para reelegê-lo. Ele pode ficar tranquilo e poder delegar poderes na administração do futebol brasileiro através desse Comitê Executivo. Em termos de poder eu estou satisfeito, em termos de fronteiras estou muito descontente. Porque as fronteiras futebolísticas dos estados são poucas para poder ajudar mais o esporte brasileiro e estão completamente abandonadas. AE - Mas uma possível reeleição de Ricardo Teixeira não apagaria os planos do Sr. disputar a CBF em 2002? Farah - Meus amigos dizem que eu ainda sou jovem e tenho tempo para chegar lá. Estou reeleito por mais quatro anos aqui na Federação, comecei esse novo mandato em janeiro e depois dele é que eu vou pensar em CBF. Mas nesse momento eu sou contrário a um racha do futebol brasileiro. AE - O Sr. é a favor da criação de ligas independentes, como as previstas pela Lei Pelé? Farah - Não. Eu sou mais a favor da criação do Comitê Executivo. AE - Como se formaria esse Comitê Executivo? Farah - O Comitê Executivo é um poder dentro da entidade em que todas as decisões sobre competições, organizações, tabelas e regulamentos tenham que ser autorizados e aprovados pelo orgão, como acontece na FIFA, a exemplo do Ricardo Teixeira, que é membro do Comitê Executivo da entidade. Eu gostaria de ver um Comitê Executivo com 15 membros. Representando jogadores, treinadores, dirigentes, presidentes de clubes e jornalistas. AE - Essa fórmula poria fim aos campeonatos estaduais? Farah - Nunca vai acabar o campeonato estadual. A única sustentação efetiva do futebol hoje no Brasil são os campeonatos estaduais. Só existe futebol brasileiro, só existe seleção brasileira graças aos estaduais. Agora quanto deve durar ou quanto não deve durar essa é a matéria que tem que ser discutida no Comitê Executivo. Uma coisa posso garantir, o campeonato mais rentável do Brasil é o Paulista, mais que o Brasileiro, mais do que Copa do Brasil, mais do que Libertadores e amistosos da seleção. AE - Esse Comitê Executivo, de uma certa forma, estaria como um poder paralelo à CBF? Farah - Não. Seria uma forma de transferir um poder presindencialista para um poder coletivo. Em vez de ter um único homem dirigindo futebol, você teria um grupo de pessoas representando segmentos do futebol e estados de futebol administrando futebol. Funcionaria mais ou menos como um Conselho Arbitral com poder de decisão. É a vontade manifesta de todos os estados do sul, sudeste, norte e nordeste representados por objetivos comuns. E alguns estados estão abandonados e para acabarmos com isso precisamos de um colegiado, de um grupo de pessoas administrando. Dividir responsabilidade para assumir responsabilidade. AE - O Sr, indicaria alguns nomes para formar o Comitê? Farah - Mustapha Contursi e Fábio Koff. Os demais é difícil citar, pois posso esquecer de alguém e aí seria injustiça. Mas esses dois nomes certamente estariam nele. AE - A edição do Campeonato Paulista do ano 2.000 trará alguma novidade? Farah - A partir de agosto nós vamos apresentar uma fórmula de campeonato para o ano 2.000. Esse campeonato de 99 está superando todas as expectativas. Com um público médio de 15 mil pagantes nos estádios, devemos bater o recorde de público dos últimos 50 anos, que sem dúvida nenhuma é um alento para todos os demais torneios brasileiros. Com o patrocínio da Kaiser e adoção do vale-torcedor nós vamos aumentar e muito a presença de torcedores no estádio. AE - Como será a adoção do vale-torcedor? Farah - Apesar de ser ainda um instrumento que está sujeito a muitas reformulações, não está encaixado adequadamente no futebol paulista. A tendência é se tornar a moeda de troca efetiva no futebol paulista. Pode ser uma nota fiscal que o cidadão vai à bilheteria e troque por um ingresso. É interessante porque será uma parceria de governo para iniciativa privada. AE - O Sr. poderia fazer um balanço sobre o sistema de contratação de jogadores pela Federação e repassá-los aos clubes? O Corinthians, por exemplo, ainda deve alguma coisa á federação pelo passe de Marcelinho (Carioca)? Qual a dívida dos clubes, que tiveram jogadores contratados pela Federação (se é que elas existem) e repassados. Farah - A troca de jogadores para a A-1 aconteceu em 1998 e foi uma experiência positiva. O Evair foi um sucesso na Portuguesa, o Viola foi um sucesso no Santos, o Carlos Miguel no São Paulo e o Marcelinho no Corinthians. Esse ano nós já colocamos 14 jogadores em 14 clubes diferentes na A-2 e os clubes estão contentes. Nós estamos pagando salário desse jogadores. Não há dívida nenhuma, essa é uma doação da Federação. No caso do Marcelinho, nós pagamos US$ 4 milhões pelo seu passe e repassamos para o Corinthians por US$ 3 milhões, quanto ao pagamento o clube está dentro dos vencimentos. AE - E a a fórmula continua no ano que vem? Farah - Esse ano foi com A-2 e o ano que vem será com A-3 e assim por diante. O que nós queremos é ajudar a todos os segmentos do futebol. Nós não estamos prepocupados só com os clubes grandes. Nós estamos preocupados com o Garça, o Marília e outros clube do interior. AE - Quanto a notícia de que o Sr. iria assumir a arbitragem da CBF e o Renato Duprat a presidência do orgão é verídica? Farah - A informação está equivocada. O Renato Duprat já é o vice-presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, ele não tem que ir, ele já está lá. O presidente é o Armando Marques e não acredito que haverá mudanças. Da minha parte não haverá mudanças e nem quero que haja. AE - Como é hoje o seu relacionamento com Ricardo Teixeira? Farah - Sem nenhuma dificuldade. Um relacionamento de dirigente com dirigente, sem nennhum tipo de obstáculos. Nós temos algumas convergências, mas temos muitas divergências. AE - Quais seriam as convergências e as divergências? Farah - No campo internacional ele faz um bom trabalho, merecendo nota 8. Em termos de trabalho nacional eu tenho divergências profundas com ele e acho que o futebol interno está completamente abandonado precisando de uma revirada geral. AE - O que poderia contornar essas divergências? Farah - Abrir uma maior espaço para que os estados brasileiros possam participar na pior das hipóteses de classificatórias ou eliminatórias para o Campeonato Brasileiro, acho que o Amazonas por exemplo , tem uma estádio de primeiro mundo e deveria ter a oportunidade de participar do Campeonato Brasileiro. Como? Participando de eliminatória, como acontece na Copa do Mundo. Porque com São Paulo fortalecido e os demais estados muito fracos é a mesma coisas de se ter um exército de uma pessoa só. Está faltando pelo menos seis estados fortes para que somados possam contestar o que está sendo feito de equivocado no futebol brasileiro. AE - Isso implicaria em uma reformulação do Campeonato Brasilileiro? Farah - Bem, a CBF não organiza mais o Campenato Brasileiro, quem organiza é o Clube dos Treze. Eu acho que a CBF deveria assumir a responsabilidade de dimensionar melhor a competição. Nós temos hoje oito federações disputando o torneio, quando deveríamos ter no mínimo 15 , mas esse é outro assunto para o Comitê Executivo. AE - Como a Federação vem acompanhando o caso de suborno da Portuguesa? Farah - Trata-se de um desfalque, e quem participou vai ter que pagar. Tudo se caracteriza até agora num ato de desfalque, e isso é um problema policial. Enquanto não for provado que teve atuação de jogadores no caso, não há razões para a Federação intervir.Por Daniel Biasetto Especial para AE ---------------------------------------------- ATTT: ATENÇÃO EDITOR. MATERIAL EMBARGADO. PARA A EDIÇÃO DE DOMINGO. ----------------------------------------------





