São Paulo, 17 (AE) - O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah, prometeu nesta quarta-feira eliminar a figura do torcedor fantasma dos estádios de São Paulo. No clássico entre Palmeiras e Santos, por exemplo, havia 7.015 pessoas no Morumbi, enquanto o público pagante divulgado pela entidade foi de 40.009. Essa exorbitante diferença numérica refere-se aos ingressos adquiridos pelos clubes para completar a cota mínima exigida pela FPF. A partir de agora, Farah afirmou que vai apenas informar o número real de torcedores presentes no estádio, uma vez que os dados estavam causando um "mal-estar mental" na imprensa. "Quem se interessa pelo público pagante são os clubes", disse o presidente da federação, lembrando que todas as equipes da competição estão ganhando com a cota mínima. "Há estádios no interior com capacidade para 15 mil espectadores", lembrou Farah. "Os times, contudo, estão tendo uma receita muito mais generosa."
Os cinco clubes grandes, incluindo a Portuguesa, recebem R$ 600 mil por partida, o Guarani, R$ 200 mil e as demais agremiações R$ 120 mil. Farah destacou ainda que a média de público na primeira fase do Paulista foi de 11.562, perante 5.200 torcedores na primeira fase do ano passado. O objetivo do dirigente é, com o apoio da Kaiser, patrocinadora da competição, atingir a histórica média de 18 mil pessoas por jogo.
Para isso, Farah está apostando suas fichas no vale-futebol, projeto organizado pela cervejaria. A promoção, firmada no fim de janeiro, consiste em oferecer aos distribuidores da Kaiser (bares, restaurantes, lanchonetes etc) cupons que possam ser trocados por ingressos. No Estado, existem 100 mil postos de venda da cerveja. "Queremos preencher os espaços ociosos dos estádios, estimulando o público a prestigiar o futebol", afirmou o diretor de Vendas da empresa, Paulo Leonhardt, ressaltando que, na primeira semana da promoção, as vendas da cerveja também aumentaram em 20% no Estado.
A única preocupação de Leonhardt é evitar que distribuidores da Kaiser vendam os ingressos da promoção na porta dos estádios, como foi detectado pela polícia no clássico entre São Paulo e Corinthians, domingo. Para Farah, a venda ilegal dos ingressos é um caso de polícia. "Não vamos permitir esse abuso", declarou o dirigente. Leonhardt explicou que poderá diminuir o número de cupons por distribuidor para reduzir a margem de fraudes.
Pelé Farah elogiou a iniciativa de Pelé de organizar, com o apoio da iniciativa privada, uma liga profissional de futebol no País, idéia que não agradou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ao Clube dos 13. "Tudo que for feito para organizar e moralizar o esporte terá a minha ajuda", disse o dirigente.

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