Farah garante: campeonato de 2000 será mais lucrativo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de junho de 1999
Por PAULO GUILHERME
FOLHA no Google News
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sexta-feira, 18 de junho de 1999
Por PAULO GUILHERME
São Paulo, 19 (AE) - O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah, promete jogar duro para defender a importância do Campeonato Paulista. Seu principal argumento intimida quem ousa desobedecer suas ordens: o dinheiro. "Cada vez mais no futebol as consequências comerciais estão acima das consequências esportivas", diz Farah, destacando que o campeonato que termina neste domingo teve um faturamento de R$ 85 milhões.
Farah quer manter o que considera alto padrão de qualidade do Campeonato Paulista. No ano que vem, os clubes que quiserem dar prioridade a outras competições que estiverem acontecendo simultaneamente ao Campeonato Estadual, como a Copa do Brasil e a Taça Libertadores da América, poderão pedir licença e não disputar o Paulista. Quem for participar, no entanto, terá de obedecer o regulamento e jogar sempre com sua formação principal. A multa para quem usar time misto será de R$ 3 milhões. Farah garante que o campeonato do ano 2000 será mais ainda mais lucrativo que o que termina neste domingo.
O dirigente lembra que nem a Fifa dá liberdade aos clubes de optar pela participação ou não em uma competição. Diz que a FPF vai baixar uma resolução abrindo esse precedente, sem punição ao clube que se ausentar. Quem não quiser disputar o Campeonato Paulista do ano 2000 não será substituído por outro clube e poderá voltar na edição seguinte. Farah sentiu-se desafiado pelo Palmeiras quando o clube optou por jogar com sua equipe principal diante do Botafogo, dia 11, uma sexta-feira, pelas semifinais da Copa do Brasil, e usou o time reserva na decisão do Campeonato Paulista contra o Corinthians, no domingo.
Ele ameaçou multar o técnico Luiz Felipe Scolari em R$ 50 mil e queria pagar apenas R$ 250 mil de cota mínima ao Palmeiras, que receberia R$ 1 milhão se jogasse com todos os titulares. "Aquele time que o Palmeiras usou merecia receber o mesmo que pagamos para o União Barbarense", afirma o dirigente. A ameaça ficou da boca para fora. Farah voltou atrás e perdoou o clube e o treinador.
Para evitar discussões sobre o argumento subjetivo de quem é titular e quem é reserva em uma equipe, Farah encontrou uma solução. Serão considerados titulares os jogadores inscritos no campeonato com a numeração de 1 a 18 na camisa - os 11 que costumeiramente começam jogando mais os 7 que habitualmente ficam na reserva e entra durante a partida. Do número 19 ao 30, todos serão considerados suplentes, independentemente da qualidade técnica ou da opção do treinador. Isso vai obrigar os clubes a antecipar algumas contratações e renovações de contrato. Este ano, alguns jogadores considerados titulares jogaram com um número na camisa acima do 18: Galeano, do Palmeiras, usou a 25; Narciso, do Santos, a 28; Dodô, do São Paulo, a 19.
Milhões - O alto grau de faturamento do campeonato dá ao presidente da FPF a certeza de que nenhum clube vai desistir de participar da competição. O Campeonato Paulista de 1999 teve o maior faturamento de todos os tempos, segundo Farah. A dinheiro arrecadado pela entidade chegou aos R$ 85 milhões. Foram R$ 42 milhões pela venda dos direitos de transmissão para as emissoras de tevê, R$ 6 milhões de patrocínio do Grupo VR, R$ 12,5 milhões da Kaiser e R$ 22,5 milhões com venda de ingressos. Dos 12 participantes da segunda fase da competição, apenas a Portuguesa e o Guarani ficaram no déficit. O dinheiro arrecadado nas bilheterias dos jogos em que foi mandante foi menor em relação ao que a FPF pagou de cota mínima a esses clubes. A Lusa recebeu R$ 8,8 milhões e arrecadou muito menos. O saldo devedor do Guarani é mínimo. O São Paulo teve o melhor faturamento. Recebeu da FPF R$ 5,8 milhões e arrecadou R$ 6,8 milhões. Com isso, vai receber mais R$ 1 milhão da Federação. O campeão paulista terá recebido da FPF R$ 10,8 milhões ao longo da competição.
Para o ano que vem, Farah estuda algumas mudanças. Ele sonha em ver o campeonato com representantes das maiores cidades do Interior, como Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Jundiaí. Por isso, pretende promover um torneio seletivo entre as equipes que estão na Série A2 e os clubes da A1 que não estão disputando o Campeonato Brasileiro da série principal.
O dirigente não pretende ajudar as equipes da Série A1 a contratar jogadores. O passe do meia Marcelinho Carioca, do Corinthians, pertence à FPF. O jogador deverá ficar no Parque São Jorge quando o empréstimo terminar, em dezembro. Para isso, o Corinthians terá de pagar US$ 2 milhões. Farah promete ainda comprar os amortecedores que faltam para terminar a reforma no Estádio do Morumbi e ajudar a Portuguesa a ampliar a capacidade do Canindé para 40 mil lugares.