São Paulo, 14 (AE) - O presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, promete suspender a cota de R$ 600 mil que a entidade paga aos clubes grandes por partida, casos eles não escalem seus principais atletas nos jogos do campeonato regional. "Não vamos fazer o papel de palhaço", afirmou o dirigente, durante a entrevista coletiva no prédio da FPF, hoje à tarde. "Não vamos pagar R$ 600 mil para o clube pôr em campo sua equipe mista; quem deixar de escalar suas principais estrelas vai receber o dinheiro relativo com o que merecer", afirmou Farah, sem estipular qual seria essa cota.
O dirigente até convocou uma reunião entre os presidentes e os técnicos dos clubes que disputam a Série A-1 do Paulista para segunda-feira, ao meio-dia, na FPF, para confirmar sua posição de punir quem não entrar em campo com sua equipe principal. A maior revolta de Farah é contra o Corinthians e o Palmeiras, que disputam simultaneamente três competições e dão mais importância à Taça Libertadores da América e a Copa do Brasil do que o Paulista. "Não aguento mais ouvir e ler declarações dos técnicos desses dois clubes (Evaristo de Macedo e Luiz Felipe Scolari) de que seus jogadores, com o excesso de partidas, estão cansados", reagiu Farah.
"O regulamento do campeonato foi assinado há sete meses pelos clubes, que sabiam das dificuldades que poderiam ter pela frente." O dirigente ressaltou que a FFP não interfere na escalação de nenhuma equipe e disse que nenhum clube é obrigado a pôr em campo todos seus titulares. "Quem quiser jogar com equipe reserva ou mista basta entregar um ofício na federação pedindo para não ter mais direito aos R$ 600 mil de cota por jogo e, assim, está livre de qualquer compromisso nesse sentindo com a entidade", disse. "Só não aceito que brinquem com o futebol paulista, porque não posso oferecer ao público um show do Pavarotti e depois apresentar o do Zé da Cunha."
Farah afirmou ainda que muitos clubes participam de competições que dão, no momento, pouco lucro, como a Copa do Brasil, enquanto o Paulista, na sua opinião, é bastante rentável. "O Palmeiras teve um enorme prejuízo ao disputar um jogo pela Copa do Brasil com pouco mais de dois mil torcedores"
ressaltou. "Esse mesmo clube enfrentou o Rio Branco, domingo, no Palestra Itália, com 5 mil torcedores e ganhou da FPF R$ 600 mil." O dirigente afirmou que o critério de avaliação da entidade para saber se o clube entrou ou não com o time reserva será da própria Federeção Paulista. "Temos uma equipe para ver essa situação", afirmou o dirigente, sem entrar muito em detalhes.
"Entendo que todos os times enfrentam problemas com contusões, mas um clube como o Corinthians deve contar, no mínimo, com 18 jogadores considerados de primeira linha." Por causa dessa situação, Farah avisa que vai mudar o regulamento do próximo Paulista. Ele adiantou que no ano que vem vão cair duas equipes para a Série A-2: uma na primeira fase e a outra na segunda. A cota de participação dos clubes grandes será modificada. "Serão R$ 200 mil de cota livre, mais R$ 200 mil pela organização e marketing da partida, outros R$ 200 mil se atuar com seus principais jogadores e mais R$ 100 mil se não criar nenhum caso que impeça o bom andamento da competição."
O dirigente da FPF deve tentar convencer os grandes clubes do futebol paulista a não participarem mais do Torneio Rio-São Paulo. Farah não gostou do comportamento do Vasco, que desrespeitou o regulamento. "Não aprovo competição que tem W.O.", disse o dirigente, completando que, no lugar do Rio-São Paulo, pode promover um torneio internacional para abrir a próxima temporada do futebol paulista.

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