Farah ameaça pressionar a CBF
Por Anderson Couto e Dinoel Marcos de Abreu
São Paulo, 14 (AE) - Irritado com o que julga "omissão" da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sobre a organização do calendário das competições nacionais, o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah, afirmou hoje que não afasta a possibilidade de interferir nos trabalhos da entidade nacional. "Acabou a brincadeira", disse Farah. "Pretendo tomar uma posição que mude de vez a direção da CBF."
Farah estava irritado, na verdade, com o fato de clubes grandes do Estado, como Palmeiras e Corinthians, estarem recebendo da FPF uma cota de R$ 600 mil por mando de jogo no Paulista e priorizarem, por exemplo, a disputa da Copa do Brasil
segundo ele, uma competição de caráter apenas social. "Na Copa do Brasil, entra qualquer clube convidado", destacou. "Não vou dar tanto dinheiro ao Corinthians para ele jogar lá no fim do mundo com suas estrelas."
O presidente da FPF também condenou a interferência, em seu trabalho, de decisões da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), que marcou três partidas da Taça Libertadores em datas já previamente utilizadas pelo calendário do Paulista. "E a CBF não faz nada, não defende as equipes brasileiras, que, pela tradição de nosso futebol, deveriam já entrar na fase final da Libertadores e não ter de disputar a etapa de classificação com um Emelec qualquer da vida", criticou.
Para Farah, a CBF não está interessada em "fazer futebol sério". "Não estou dizendo que haja roubo dentro da entidade, mas ninguém está preocupado em trabalhar com organização, em parceria com grandes empresas", apontou. Apesar de seu discurso político, de candidato a sucessor de Ricardo Teixeira, o dirigente paulista confessou que não tem interesse em obter cargos na CBF.
"Quero apenas que sejam feitas mudanças para profissionalizar o futebol", explicou. Mudanças, por sinal, que
segundo Farah, não estão ao seu alcance. "Quero dar sugestões, mas vou falar com quem lá?; não tenho diálogo com a CBF, pois nem sei quem é o seu atual presidente", ironizou, em alusão às diversas licenças de Teixeira de seu cargo.
"Agora, parece que é um tal de Salgado...." Farah afirmou ainda que, caso fosse presidente da entidade, não permitiria que um clube disputasse duas competições simultaneamente. "Jogar a Libertadores e a Copa do Brasil ao mesmo tempo é um absurdo", ressaltou. "Na minha opinião, quem está com a vaga garantida numa Libertadores não deveria disputar a Copa do Brasil."





