Bergisch Gladbach - Não adianta alguém tentar arrancar de Cafu um depoimento sobre a decisão da Copa do Mundo de 1998. E olha que não falta gente querendo ouvir o capitão da seleção falar sobre a derrota para a França na final daquele Mundial. Cafu está fazendo de tudo para fugir das lembranças do fracasso brasileiro no Estádio Saint-Dennis, em Paris, os 3 a 0 que até hoje fazem a alegria dos franceses.
Cafu está convencido de que o time brasileiro não pode entrar em campo amanhã pensando em se vingar dos franceses. Isso, segundo o jogador mais experiente da seleção, deixaria o Brasil um pouco mais perto de uma outra derrota para os azuis. ''Se gente levar o sentimento de revanche para o jogo contra a França, não vai ser legal. A partida será um duelo entre duas seleções em busca de uma vaga nas semifinais da Copa'', afirmou Cafu. ''Não será uma revanche'', reforçou o lateral.
A seleção brasileira que entrará em campo amanhã, em Frankfurt, terá três jogadores que foram titulares na decisão do Mundial de 98. Além de Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo enfrentaram a França há oito anos e voltarão a encarar os franceses amanhã. Cafu jura de pés juntos que não restou qualquer resquício, qualquer ressentimento da derrota diante do time de Zidane.
''A gente não pensa mais em 98. Aliás, a gente sequer conversa sobre aquela partida na nossa concentração. Se o Brasil ficasse pensando no que aconteceu em 98, não teria sequer conquistado o título em 2002. Se for para falar do que já passou, prefiro falar do campeonato que ganhamos há quatro anos'', disse o capitão do penta.
Assim como os franceses têm bons motivos para se divertir às custas dos brasileiros, os torcedores pentacampeões mundiais possuem razões de sobra para detestar os ''Bleus''. Além da derrota de 98, está também na memória brasileira o triunfo francês sobre o Brasil nas quartas-de-final da Copa de 1986, disputada no México. Naquela ocasião, a França eliminou o time dirigido por Telê Santana nos pênaltis depois de um empate por 1 a 1.
Amargas lembranças Cafu jura que não pensa em vingança, mas há quem pense, sim. É o caso do volante Zé Roberto. Hoje titular absoluto da seleção brasileira, ele era reserva do time que perdeu a decisão de oito anos atrás. Zé não esconde que está louco para ganhar da França e apagar, ao menos um pouquinho, as amargas lembranças do Mundial de 98. ''Existem momentos na nossa vida que não voltam mais. A final da Copa de 98 é um desses momentos. Só que agora eu terei a chance de jogar contra a França em um Mundial. Nem tenho palavras para descrever o sentimento de enfrentar os franceses outra vez'', disse o jogador do Bayern de Munique.
As más lembranças dos 3 a 0 no Saint-Dennis ainda perseguem Zé Roberto, que viu aquele jogo do banco de reservas brasileiro. Ele sabe que a partida de amanhã não será uma partida qualquer. Será uma oportunidade raríssima, talvez única, de vingança sobre os franceses. ''Ficou uma marca daquela partida, do título que perdemos. Não sei se será uma revanche, mas sei que teremos a chance de apagar essa marca. Não vejo a hora de entrar em campo para tentar fazer aquilo que não pude fazer em 98'', confessou o volante.

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