Curitiba - Desde sexta-feira, quando a Seleção Brasileira iniciou a preparação para a Copa da África do Sul, no CT do Caju, em Curitiba (onde permanece até amanhã), um assunto é recorrente nas entrevistas concedidas aos jornalistas que vêm acompanhando o time de Dunga: o fracasso na Copa da Alemanha, há quatro anos.
Todos os jogadores e membros da comissão técnica que foram entrevistados nos últimos dias e que participaram da campanha decepcionante do Brasil naquele Mundial estão sendo obrigados a dar explicações sobre a eliminação nas quartas de final, diante da França. Prova de que, mesmo após títulos da Copa América e Copa das Confederações, a melhor campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas e vitórias sobre gigantes do futebol mundial (Argentina, Itália, Inglaterra), a ferida pela perda do hexa na Alemanha continua aberta.
Nos três primeiros dias de entrevistas, o médico José Luiz Runco, o preparador físico Paulo Paixão e o volante Gilberto Silva tiveram que comentar o assunto. Ontem, foi a vez do zagueiro Juan. O defensor se mostrou constrangido quando perguntado sobre de quem era a responsabilidade de marcar o atacante francês Henry no lance em que foi marcado o gol que eliminou o Brasil.
Na ocasião, o lateral-esquerdo Roberto Carlos foi muito criticado porque as imagens da televisão mostraram que ele estava ajeitando o meião na entrada da área enquanto Henry corria livre nas costas dele para completar um cruzamento e tirar os pentacampeões do Mundial.
Ontem, Juan eximiu o ala de qualquer responsabilidade pela eliminação. ''Ninguém no grupo crucificou o Roberto Carlos. São erros coletivos, de movimentação, que acontecem. A gente marcava praticamente por zona e infelizmente ele (Henry) ficou livre. O Roberto Carlos não tinha que marcar na área um jogador que era mais alto que ele'', afirmou o zagueiro.
Nos dias anteriores, Runco, Paixão e Gilberto Silva também não quiseram apontar culpados pela eliminação. O médico e o preparador físico disseram que vão fazer nesta Copa um trabalho igual ao de 2006. Gilberto Silva afirmou que o Brasil não teve ''um grande dia'' contra a França. E defendeu que Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo, muito criticados após a derrota, mereciam uma ''estátua'' pelas suas trajetórias na Seleção.
Juan acredita que o trauma da eliminação serviu para fortalecer a união do grupo nos quase quatro anos de trabalho de Dunga. ''Esse time foi construído em cima de muita dúvida, em razão do que aconteceu no último Mundial. O que temos de mais forte é o nosso grupo e é isso que vamos levar para a África do Sul'', garantiu o zagueiro.

mockup