Família torce e sofre muito com o Tubarão
Quando o Londrina perde eu digo que não volto mais ao estádio, mas no jogo seguinte estou aqui. A frase é do torcedor Sebastião Obici, 51 anos, despachante, que ontem assistiu ao jogo entre Londrina e ABC, com a família nas cativas do Estádio do Café. Ao seu lado a esposa Sueli, assistente social, e a filha Paola, 15 anos. Não perco uma partida do Tubarão, contou Sebastião, que já começou a gritar Timinho! Timinho, assim que a equipe potiguar entrou no gramado. Temos que gritar para abalar os adversários psicologicamente, complementou Sueli.
Nos primeiros minutos da partida, o casal permaneceu quieto, mas foi só Mauro e Wágner levarem cartão amarelo para Sebastião se levantar e mandar o árbitro para a p.q.p. Aos 25 minutos, quando Rogério perdeu uma incrível chance de marcar para o Londrina, a adrenalina subiu a mil e o fanático torcedor não aguentou: Ai Jesus! Não podemos perder um gol feito deste jeito. Sueli, agitada, pediu para o marido comprar água. Estou muito nervosa, disse.
O primeiro tempo terminou em 0 x 0 e Sebastião berrou para o técnico do Londrina: Pô, Varlei, mexe nesse time. Como comentarista, ele entendia que a equipe estava ruim do meio de campo para a frente. Não existem jogadas ensaiadas e ninguém tenta uma tabelinha, observou.
Dorico da SilvaAlegriaO Londrina empata: o casal festeja a chance de vitóriaAssim que começou a segunda etapa Sebastião estava mais quieto. Agora temos que rezar, disse. Mal acabou de falar e o ABC fez 1 a 0. Joga na defesa agora seu p...!, soltou o verbo para o técnico Varlei, além de a todo momento chamar o lateral Marquinhos Capixaba de lêndia. A partida foi chegando ao final e o casal Obici estava calado. Mas, aos 42 minutos, quando Cássio empatou jogo e o Estádio do Café estremeceu, eles saltaram e se abraçaram.
Mas o momento de maior nervosismo foi quando começaram as cobranças dos pênaltis. Mais uma vez vamos decidir desta maneira. Mas hoje tem que ser diferente do ano passado, quando perdemos para o Náutico, observou Sebastião, bastante nervoso. A cada cobrança a vibração era contida. Temos que fazer, temos que fazer, repetia. Quando Alemão marcou o gol da classificação aí sim Sebastião se abraçou com a mulher e de sua garganta só saía um grito: Tubarão! Tubarão!.
Pelo amor de Deus. É muito sofrimento, comentou Sebastião, antes de deixar o estádio. Mas já prometia estar de volta na próxima fase.Dorico da SilvaPreocupaçãoSebastião e Sueli: família sofreu unida no Estádio do CaféAlberto Macedo





