Leonardo Revesso
Especial para a Folha
De Cruzeiro do Oeste
O ouro conquistado por Vanderlei Cordeiro de Lima na prova de maratona do Pan-Americano foi recebido com lágrimas e foguetório na cidade onde o atleta nasceu e viveu a adolescência, Cruzeiro do Oeste (25 km de Umuarama). Os pais, os irmãos e os sobrinhos de Vanderlei assistiram à vitória pela televisão e não conseguiram segurar o choro. ‘‘Foi mais do que se tivéssemos conquistado uma Copa’’, disse Inácia Cordeiro de Lima, irmã mais velha de Vanderlei.
Nem na vitória do Brasil pela Copa América, no Paraguai, se viu tantos fogos na cidade, que acordou com o barulho organizado por amigos e fãs que convivem com o ídolo na televisão, nos jornais e nas ruas, durante as férias do calendário esportivo mundial. Foguetório mesmo é o que o maratonista brasileiro, terceiro colocado na Corrida de São Silvestre em 1997 e campeão da Maratona do Japão, no mesmo ano, deve receber quando voltar à cidade. ‘‘Queremos vê-lo desfilando em cima do carro dos Bombeiros’’, disse o prefeito Antonio Mazzei.
Até o final da tarde de ontem, Vanderlei ainda não havia ligado para a família. Os pais José, 76 anos, e Aurora Cordeiro, 66, aguardavam ansiosos o contato do filho para parabenizá-lo. ‘‘Não tinha dúvida de que o Vanderlei conseguiria vencer a prova. Ele merece tudo isso que está vivendo’’, disse Aurora. O pai era o mais emocionado. Aposentado, disse que o coração ainda aguenta acompanhar mais vitórias como a de ontem.
Vanderlei começou a correr ainda criança, em competições da escola onde estudava. De família humilde, enfrentava dificuldades para participar de provas. O dinheiro para pagar ônibus e alimentação vinha do trabalho na roça. Todos os dias, mesmo depois de passar horas no trabalho pesado, encontrava força para correr pelo menos 8 quilômetros, hábito que mantém até hoje. A diferença é que hoje Vanderlei vive do esporte e não precisa mais calejar as mãos na lavoura, como empregado.
A família prefere não falar em patrimônio, mas admite que Vanderlei ‘ajuda muito em casa’, mesmo estando casado e com dois filhos. Atualmente ele mora em Campinas, mas sempre que consegue uma folga entre uma competição e outra, vai para a casa dos pais.

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