Arquivo FolhaDespedidaVelório do piloto Ayrton Senna, que morreu em acidente durante corrida em Ímola, Itália, em 1994: comoção nacional com a perda do ídoloHá 3 anos, a Fórmula 1 perdia boa parte de seu encanto para os brasileiros, que acompanharam, ao vivo, direto de Ímola, na Itália, a morte do piloto Ayrton Senna. Mas seu sonho de ajudar as crianças continua vivo através do Instituto que leva seu nome. A instituição foi criada em 1995, na data do aniversário do piloto - 21 de março. ‘‘Nossa meta é apoiar a qualidade onde ela estiver, financiando programas modelares que vão em direção às grandes questões sociais’’, define Viviane Senna, presidente do Instituto e irmã do piloto.
‘‘Nossa intenção é mudar o olhar social, para que as pessoas parem de aceitar o inaceitável’’, completa Viviane. Os recursos para estes programas são captados através dos contratos de utilização da imagem do piloto, da marca Senna e do personagem Seninha, que são doados pela família. E este ano, as novidades do Instituto Ayrton Senna (IAS) são um programa contra a repetência nas primeiras séries do 1, em 15 municípios onde esta taxa atinge 98%, e um prêmio de jornalismo, que vai distribuir R$ 115 mil em prêmios. ‘‘Queremos premiar matérias jornalísticas que ultrapassem o nível da simples denúncia e apontem caminhos efetivos’’, diz Viviane.
Em seu primeiro ano de vida, o Instituto Ayrton Senna consumiu US$ 1 milhão; no segundo, US$ 2 milhões; e este ano deverá atingir os US$ 4 milhões e ajudar cerca de 60 mil meninas e meninos em várias regiões do País. ‘‘O Instituto não gerencia os programas, mas sim analisa a situação, diagnostica os problemas, elege as estratégias e vai buscar os parceiros para a execução’’, prossegue.‘‘O instituto atua criando oportunidades para o desenvolvimento de talentos potenciais e capacidades’’. Atualmente, o instituto está com 18 projetos em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
São programas de combate à desnutrição infantil, de educação, ensino profissionalizante, recuperação de menores infratores e promoção social através da arte e do esporte. O Instituto é um braço do Ayrton Senna Foundation, que foi criada em Londres, em 1994. ‘‘Quando resolvemos fundar um instituto no Brasil, descobrimos que a parte burocrática demoraria um ano, por isso abrimos primeiro em Londres. Mas nosso trabalho de campo é todo no Brasil’’, frisa Viviane.
Além de ótimo piloto, Senna tinha visão empresarial privilegiada e trabalhava em parceira com seu pai, Milton da Silva, seu irmão Leonardo Senna e seu primo Fábio Machado que hoje continuam a comandar os negócios da família. Uma infinidade de produtos levam a marca Senna, um ‘‘S’’ estilizado em forma de curva. Vão desde adesivos, bonés, camisetas, relógios, óculos, bicicletas até carros da marca Audi, motos Ducatti, barcos Cobra, uma revendedora Ford e uma empresa de telecomunicações. Mas o xodó da marca Senna é a revista ‘‘Senninha e Sua Turma’’, que está completando três anos.
Senna lançou o personagem em fevereiro de 1994. Atualmente a revista é quinzenal com tiragem de 100 mil exemplares/mês. Cem por cento dos royalties provenientes dos licenciamentos do personagem são destinados ao Instituto Ayrton Senna e representam 40% de seu faturamento. E acaba de chegar ao mercado brasileiro o terceiro CD-ROM do personagem, ‘‘Revistinha do Senninha’’.
Até hoje, passados três anos da morte de Senna, a procura pelas lembranças do ídolo atrai inclusive turistas estrangeiros ao País e é apenas um exemplo do culto à personalidade do maior piloto brasileiro. Seu túmulo no Cemitério do Morumby, em São Paulo, recebe milhares de visitantes todos os meses, e o movimento deve triplicar hoje. Ali, o comércio clandestino de produtos com a marca Senna corre solto.
No Rio, muitos clientes de um quiosque no Barrashopping, chegam a chorar ao lembrar a morte de Ayrton Senna. Quem conta é a dona do quiosque, Suely Feldman, ela própria uma fã de Senna que nunca mais viu qualquer corrida da Fórmula 1 desde aquele dia trágico em Ímola, na Itália. Suely vende cerca de 80 óculos de sol Senna 2000 e 200 camisetas com a marca do piloto por mês, além de miniaturas de carros, pôsteres e canetas.

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