O clima está totalmente favorável para Gustavo Kuerten fazer a festa em Roland Garros. Um dos últimos detalhes completou-se ontem, com a chegada da família, desembarcando no final da tarde no aeroporto Charles De Gaulle. Sua mãe, dona Alice, trouxe na bolsa bombons de uva para o filho. A namorada, a modelo catarinense Vanessa Schultz, também viajou junto e vai acompanhar Guga durante todo o torneio. Até mesmo a avó, dona Olga, que ficou famosa na campanha vitoriosa de 1997, quando Kuerten falou, com ironia, que ela era sua treinadora, está em Paris, mas também usou de ironia ao referir-se ao neto. Não gostou nada do cabelo pintado de loiro do tenista, que ele vem usando desde Roma.
‘‘Este não é meu neto’’, afirmou dona Olga. ‘‘Meu neto de verdade não usa um cabelo desses.’’ A presença da família Kuerten, desde os primeiros dias de competição, é novidade em Roland Garros, mas não em torneios. Guga já levou sua mãe e avó para outras competições, como Stuttgart. Dona Alice também esteve no Lipton, em Key Biscayne, e a namorada vai a várias competições.
‘‘Acho importante ter o apoio da família, pois só fico dois ou três meses por ano em casa e tanto minha mãe como minha vó gostam de me ver jogando’’, contou Kuerten. ‘‘Há alguns anos não tinha condições financeiras para ter a família ao lado, mas agora acho gostoso poder estar junto deles.’’
Ganha pão - Gustavo Kuerten estréia este ano em Roland Garros como um dos principais favoritos ao título, depois das conquistas dos torneios de Montecarlo e Roma. O tenista não esconde seu otimismo e bom momento e, ontem, participou de uma longa e concorrida entrevista coletiva no aconchegante hotel Califórnia, em Champ-Elysses. Entre tantos assuntos, definiu bem seu atual momento. ‘‘Os torneios de saibro são meu ganha pão’’, disse. ‘‘E apostei tudo nesta temporada européia de quadras de saibro’’, prosseguiu. ‘‘Ganhei dois títulos importantes e voltei a ficar entre os dez, antes até do que esperava.’’
Seu objetivo agora é melhorar ainda mais o ranking, mas advertiu que num torneio como Roland Garros não se pode alimentar muitas expectativas. ‘‘É muito fácil ter um tropeço numa competição como esta’’, contou. ‘‘Tenho tudo para jogar bem e até ganhar, mas preciso ter cuidado.’’
Com bom humor e descontração, Kuerten conversou sobre vários assuntos. Revelou que tem um sonho de vencer pelo menos um jogo em Wimbledon, pois jamais venceu uma partida em quadra de grama, e falou, em entrevista exclusiva para a ‘‘Agência Estado’’, de preferências como Tiazinha ou Feiticeira. Disse que prefere a segunda, pois ela pode fazer uma feitiçaria e trazer também a Tiazinha.
Chuva - Num dia de muita chuva em Paris, não sobrou quadra para tantos jogadores treinarem. Até mesmo a disputa do qualifying de Roland Garros ficou prejudicada. Assim, Guga teve de ir ao clube de seu agente, Jorge Salkel, em Montrouge, que também está lotado. De repente, a única opção que restou foi bater bola com a número 1 do mundo, a suíça Martina Hingis. ‘‘Não esperava treinar com ela (Hingis)’’, falou Kuerten. ‘‘Mas não teve outro jeito e batemos uma bola, jogamos até um tiebreaker’’, prosseguiu. ‘‘Dei algumas lambujas, rebati bola fora, e acho que ganhei por 7 a 5.’’
Hoje, Gustavo Kuerten vai saber quem será seu adversário da estréia. O sorteio da chave se realizará pela manhã, em Roland Garros. Além de Guga, apenas Fernando Meligeni também está garantido na competição. Os outros brasileiros precisam jogar o qualifying. Márcio Carlsson venceu seu primeiro jogo, Francisco Costa perdeu, Jaime Oncins ainda não estreou, assim como Paulo Taicher, enquanto Daniel Mello perdeu um jogo muito equilibrado.

mockup