Janaina Tupan Frare
De Londrina
O artilheiro chileno Hector Tápia, 22, teve uma torcida especial no jogo contra o Brasil ontem à noite, em Londrina. Da arquibancada do Estádio do Café, os seus pais Hector e Ana; o irmão, Daniel; os tios, Santiago e Angela; e a prima, Paula, acompanharam toda a partida, sem desgrudar os olhos do gramado.
Esta é a segunda vez, em menos de um mês, que a família de Tapia vem a Londrina. A primeira foi para assistir o Chile empatar com o Brasil na primeira rodada da fase de classificação. Depois de estarem praticamente desclassificados para o quadrangular final, eles nem esperaram o complemento da última rodada e voltaram para Santigo.
Mas, por um milagre, como define a mãe do jogador, após a goleada de 9 a 0 do Brasil sobre a Colômbia, eles tiveram que retornar. ‘‘Ainda bem que deu de voltar a tempo para assistir à goleada chilena por 4 a 1 sobre o Uruguai’’, disse o pai, Hector.
‘‘Vamos atrás dele onde ele estiver, quantas vezes precisar’’, disse a mãe coruja, que afirmou estar torcendo para o filho conseguir a vaga para as Olimpíadas de Sydney. ‘‘Se ele for, com certeza também iremos para a Austrália’’. Eles contam que por onde o filho passa, a excursão familiar vai atrás. Segundo Héctor, vale qualquer sacrifício pelo filho. ‘‘Precisamos incentivá-lo, e mostrar que estamos ao lado dele.’’
No jogo contra o Brasil, a tensão era explícita nos rostos de toda a família. Eles sequer conseguiam encostar nas cadeiras que estavam sentados, na parte coberta do estádio. Mas a tranquilidade veio com o gol de Tapia, aos 14 minutos do primeiro tempo. O grito foi instantâneo, e nem mesmo a torcida brasileira que os cercava os intimidou.
Mas 17 minutos depois foram surpreendidos por um gol de Athirson. Santiago, o tio de Tapia, acendia um cigarro atrás do outro, tamanha a ansiedade. ‘‘Realmente estou nervoso. O Brasil é uma equipe muito forte’’, disse à Folha. A prima juntava as mãos e fazia uma prece a cada momento em que a Seleção Brasileira se aproximava da área chilena. ‘‘Estou torcendo pela vitória e oxalá deve ajudar.’’
Tapia, que começou a jogar futebol muito cedo, hoje mora na Itália com seus pais e com o irmão caçula, Daniel, 20, e joga pelo Perugia. ‘‘Como ele começou com apenas sete anos, procuramos incentivá-lo ao máximo para se tornar um grande jogador’’, disse o pai de Tapia. ‘‘Contra o Brasil, sabemos que é uma partida difícil. Só me importa ver o Chile jogar bem. O gol é consequência’’.
O incentivo da família parece que tem dado certo. Tapia já integrou as seleções sub-17, sub-20 e desde 98 integra a seleção principal do Chile. E tem grandes chances de disputar as eliminatórias para a Copa de 2002.

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