Família decide futuro de Felipão
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sábado, 08 de julho de 2006
Márcio Tavares<br> Agência O Globo 
Stuttgart - Não voltar ao lugar onde foi feliz, para evitar uma desilusão e ver apagadas as marcas das vitórias, é uma decisão que muita gente toma quando chega ao sucesso. Não é o caso de Luiz Felipe Scolari. Nessa complicada novela em que se transformou sua renovação de contrato com a Federação Portuguesa de Futebol, Felipão vem sendo analisado de várias formas por todos que vêm acompanhando sua trajetória nesta Copa do Mundo. Afinal, após conquistar o pentacampeonato mundial pelo Brasil, ele desistiu e resolveu enfrentar novos desafios do outro lado do oceano. Agora, todos querem saber se ele continua em Portugal ou se atravessa o oceano de novo, rumo à CBF.
''Comigo não tem essa de não voltar onde fui feliz. Se recebesse uma proposta oficial da CBF, pensaria no caso. Tive uma época maravilhosa na seleção brasileira, marcou minha vida e não teria o menor problema de recomeçar. Assim como também não tenho nada contra renovar meu contrato e ficar em Portugal'', diz Felipão.
O aspecto financeiro é muito importante para Felipão. Mas ele acena com a possibilidade de continuar dirigindo a seleção portuguesa mais pelo aspecto sentimental do que pelo salário que pode vir a ganhar. ''Dinheiro é importante, claro. Mas já perdi muito, ou melhor, deixei de ganhar de um lado, e ganhei muito mais do outro, que foi o carinho do povo português. Portugal tem tudo que eu gosto: sol, posso andar de bermudas, tomar meu chimarrão em paz no Cascais, uma região maravilhosa. Tudo isso me atrai muito''.
O técnico também não descarta voltar à seleção brasileira, mas para isso exige uma proposta oficial. Embora evite tocar no assunto com mais profundidade, ele diz que não adianta algumas pessoas da entidade ficarem mandando recados por meio de amigos ou de especulações na imprensa.
Para começar a analisar a proposta seriamente, ela tem que ser encaminhada ao seu empresário Gilmar Veloz por Ricardo Teixeira ou seu tio, Marco Antônio Teixeira. Fora isso, o treinador não admite discutir sua volta à seleção brasileira se baseando em boatos ou convites extra-oficiais.
Quando admite a possibilidade de não renovar com a Federação Portuguesa, Felipão não se refere às suspeitas de que estaria insatisfeito com Gilberto Madaíl, presidente da entidade, que não o teria defendido dos ataques de dirigentes de clubes portugueses que queriam ver seus jogadores convocados. '' O presidente tem um cargo político. Eu posso mandar todo mundo pro inferno, ele, não. Há formas e formas de se defender uma pessoa e sei que ele me defendeu sempre. Ele me deu o principal suporte, que foi a liberdade para escolher meus convocados. Eu posso soltar o verbo e ele tem de ser político''.
Família Scolari Encerrada a participação de Portugal na Copa do Mundo, Felipão volta para Portugal e, com a ajuda da família, vai discutir no máximo em 15 dias sua situação com Madaíl. As possibilidades de ele continuar são grandes, embora ninguém aposte um centavo em qual será sua decisão, porque é uma negociação com final imprevisível. Mas, diante de seu carinho por Portugal e pelo bem-estar que sua família encontrou em Cascais, região de excelente qualidade de vida onde moram os Scolari, não será surpresa se ele ficar.
Dona Olga, sua mulher, e os dois filhos adoram Portugal. Ela tem um círculo de amigas que não dispensam a ginástica diária. O treinador anda pelo calçadão sem ser importunado e toma chimarrão à tarde na varanda de seu apartamento, num prédio colado ao do fiel escudeiro Murtosa.
Para o filho mais velho, Leonardo, de 21 para 22 anos, ainda falta um ano para concluir a faculdade de direito e não faria sentido interromper os estudos de boa qualidade agora. Fabrício, o mais novo, também estuda num bom colégio.
Por causa dessas vantagens todas, a família Scolari vai ter peso decisivo na decisão do técnico, que semana que vem vai reunir todos em Cascais e perguntar: ''Afinal, ficamos ou vamos embora?''


