São Paulo - A viúva, Helaine Cunha, casou-se de novo e mora no ABC com o filho, Paulo Sérgio, hoje com 9 anos. O médico Paulo Forte e o presidente Nairo Ferreira de Souza reassumiram suas funções no São Caetano. O time, em alta até pouco tempo atrás, passou a ser coadjuvante e hoje disputa apenas a Segunda Divisão. O promotor Rogério Leão Zagallo ainda trabalha em São Paulo, inconformado com o resultado do processo. Edimar Bocchi, cardiologista do Incor, procura esquecer o caso. Os pais e irmãos vivem em Serra, no Espírito Santo, de luto desde aquele 27 de outubro de 2004.
A morte de Paulo Sérgio de Oliveira Silva, o Serginho, na ocasião com 30 anos, durante jogo entre São Paulo e São Caetano, no Morumbi, completou cinco anos terça-feira e ainda causa polêmica. Zagallo não concordou com o arquivamento do processo, que condenou Nairo e Paulo Forte a cumprir pena restritiva de direito.
O médico, com especialidade em ortopedia, ficou afastado do futebol, punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Nunca admitiu ter recebido do Incor um laudo que mostrasse os riscos de o zagueiro continuar jogando futebol. Agora pretende processar o Incor, o autor do documento na época. Nairo, suspenso pelo STJD, voltou à presidência do clube do ABC. Hoje lamenta o mau momento do time, que, curiosamente, caiu acentuadamente depois da tragédia.
Os pais, de 73 anos, perderam o filho e ainda ficaram em situação econômica delicada. O São Caetano cumpriu a promessa de pagar o salário de Serginho até o fim do contrato, em 31 de dezembro de 2005. Eram R$ 60 mil por mês. Mas R$ 60 mil para Helaine. ''Nunca recebemos nada, se dependêssemos de alguma ajuda, estaríamos mortos'', afirmou a mãe, Ana Oliveira, à Agência Estado. ''O Serginho pagava meu plano de saúde e de meu marido (Virgílio Silva, aposentado), mas, quatro ou cinco meses depois de sua morte, a Helaine nos mandou um recado dizendo que não tinha mais condição de pagar''. O plano ficou por conta dos filhos.
Ana e Virgílio passaram quatro anos sem ver Paulo Sérgio, o neto, até que o São Caetano organizou encontro em 2008, no ABC. A vida dos dois depois daquela noite de outubro nunca mais foi a mesma, diz a mãe. ''Um pedaço da gente foi embora com o Serginho, mas Deus levou, fazer o quê?'' A possibilidade de ir atrás de possíveis culpados foi cogitada, mas logo descartada. ''Nós só queríamos o Serginho aqui conosco, ir à Justiça não vai trazê-lo de volta''.
Helaine casou-se de novo e mora com o marido e o filho, Paulo Sérgio, no ABC. Pouco depois da morte de Serginho, fundou o Instituto Serginho, em Coronel Fabriciano (MG) - onde o jogador iniciou a carreira e foi enterrado. A iniciativa durou pouco e o local acabou fechado.
Paulo Forte afirma a amigos que sua carreira não foi abalada pelo episódio, embora tenha se afastado do futebol por causa da suspensão do STJD. O médico havia dito que daria entrevista por e-mail, mas, na última hora, pediu ''desculpas'' e optou por não falar. Helaine, por meio de pessoas próximas, declarou que estava em viagem e preferia não retomar o tema.
Nairo não respondeu ao recado deixado pela Agência Estado. O clube se manifestou em nota. ''O São Caetano considera o caso encerrado após cinco anos, já que todos os envolvidos do clube foram absolvidos pela esfera mais respeitada do País: a Justiça. E lamenta ter sido punido pelo STJD, no âmbito desportivo, antes das análises das provas e do veredicto favorável da Justiça Comum''.

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