O técnico Luiz Felipe Scolari não fala de futebol com a família. Sua mulher, Olga, faz questão de não entender do assunto. Assim, ela evita que o problema enfrentado pelo marido durante uma partida do Palmeiras possa virar polêmica em casa.
Durante a fase de classificação para as quartas-de-final do Campeonato Brasileiro, Olga espantou-se com a preocupação de Scolari, que sonhava com a disputa do título. ‘‘Mas o Palmeiras não ganhou o campeonato?’’, perguntou a Scolari, fazendo confusão com a Copa do Brasil, conquistada pelo Alviverde no primeiro semestre.
‘‘Às vezes, ele chega tenso em casa por causa do resultado de um jogo, mas eu e os meninos não fazemos perguntas sobre a partida’’, diz ela, que procura sempre puxar um assunto bem distante do futebol.
A mulher e os filhos de Scolari, Leonardo, de 14 anos, e Fabrício, de 7 anos, admitem que não têm muito o que fazer em São Paulo, porém, não reclamam. ‘‘Nosso passeio é andar pelos shoppings, mas estamos nos acostumando’’, diz Olga. ‘‘Se Scolari renovar o contrato com o Palmeiras (termina em junho), vamos continuar em São Paulo.’’
Os compromissos com o Palmeiras deixam Scolari pouco tempo ao lado da família. Pela manhã, quando pode, vai ao banco tratar de assuntos particulares. Se está em casa, não pára de falar ao telefone com os amigos e integrantes da comissão técnica do clube, como o preparador físico Paulo Paixão e o auxiliar-técnico Flávio Teixeira.
Scolari mora perto do Parque Antártica, num apartamento de três quartos que pertence ao meia Raí. O jogador comprou o imóvel da primeira vez em que jogou no São Paulo. Quando foi para o Paris Saint-Germain, da França, Raí fechou o apartamento e, na volta ao Tricolor, comprou uma casa.
O técnico faz questão de almoçar sempre com a família. Sai do treino direto para o apartamento. ‘‘Faço de tudo para chegar antes dos meninos irem para o colégio’’, diz. ‘‘Não gosto de almoçar fora de casa.’’
Nas horas de folga, Scolari joga videogame com Fabrício. Outro passatempo é cuidar do canário que ganhou recentemente de um diretor do Palmeiras. O técnico tem saudade dos churrascos que costumava fazer nos tempos do Grêmio. ‘‘Minha especialidade é preparar uma bela costela de boi, mas, infelizmente, no apartamento não tenho condição de organizar um churrasco para os amigos’’, diz o treinador, que se limita a preparar seu chimarrão.
Scolari não assiste a filmes na televisão. Fora o futebol, só vê o Jornal da Globo e afirma que não perde um programa Jô Soares Onze e Meia, no SBT.

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