São Paulo, 01 (AE) - No ano passado, quando o Palmeiras enfrentou o Olímpia, pela semifinal da Copa Mercosul, houve churrasco na casa dos familiares de Arce no Paraguai. Agora, a festança está cancelada. O tempo é escasso e o preço da carne está alto. "A inflação está subindo muito por lá", justifica o lateral-direito. Quarta-feira, o Palmeiras enfrenta o Cerro Porteño e, na sexta-feira, já tem outro jogo, contra o Olímpia, pelo Grupo 3 da Taça Libertadores da América.
Arce vive um momento especial. Pela primeira vez na vida, vai enfrentar o Cerro, seu time de coração, de seis temporadas, três títulos nacionais e três disputas de Libertadores. "Nasci e cresci lá", resume. "Vai ser algo diferente jogar contra eles." A família, toda cerrarista, está do lado de Arce, garante ele. "Os pais sempre torcem pelo filho."
Mas quem melhor assumiu o lado vira-casaca da família foi o sogro, Amálio. Ele gravou o confronto entre Cerro e Olimpia, há uma semana, em Assunção. Mandou a fita para o genro que a entregou ao técnico Luiz Felipe Scolari. Arce, informante e tradutor, não cansou de passar dados do ex-clube.
"É um time aguerrido, de tradição, com uma torcida de massa"
conta. "Eles querem ganhar e mostrar o futebol paraguaio para o mundo." Arce sugere que o Palmeiras jogue fechado, com uma marcação forte. A importância de Arce na equipe não é apenas estratégica. No sábado, contra o Corinthians, ele fez o gol da vitória, numa cobrança de falta. Quando entrar em campo, Arce ainda não imaginou qual será o comportamento dos torcedores que o aplaudiram muito em tempos passados. "É uma torcida muito passional." Scolari lembra que Arce foi ídolo em todos os lugares por onde passou. "Os torcedores do Cerro podem vaiar dez palmeirenses em campo, mas vão poupar o Arce", prevê o treinador.
O churrasco que não será consumado é motivo de brincadeira para o atacante Paulo Nunes. "Tá difícil tirar carne deste paraguaio." Arce diz que prefere guardar o dinheiro para o futuro. "Os jogadores paraguaios sabem que a situação do país deles está difícil", comenta Scolari. "Eles valorizam muito o dinheiro que ganham no Brasil."

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