Os aficionados por carros puderam observar com detalhes cada uma das "máquinas" inscritas para a prova de Londrina
Os aficionados por carros puderam observar com detalhes cada uma das "máquinas" inscritas para a prova de Londrina | Foto: Fotos: Marcos Zanutto



Londrina - Emoção. Essa é a palavra que definiu a edição 2017 das 500 Milhas de Londrina. Mais rápido durante todo o evento, os pilotos Jair e Duda Bana - do protótipo Predador (n° 35) - sagraram-se campeões da prova. É bem verdade, a dupla não teve vida fácil: caiu para o fundo do grid depois de um problema mecânico ainda na primeira metade da corrida, mas conseguiu incrível recuperação.

Com essa vitória, Jair Bana sagra-se o maior vencedor da prova, com quatro triunfos na geral (1995/2001/2010/2017) – três deles ao lado do filho, Duda Bana. "Não foi fácil, tivemos vários problemas durante toda a prova, como o amortecedor e depois um pneu furado, além da chuva, mas fizemos uma boa corrida e o resultado foi muito bom", comentou Jair. Perguntado sobre se em algum momento a chuva ou o safety car colocou a vitória em xeque, Duda respondeu: "Usamos a estratégia para superar esses problemas, e com chuva e a visibilidade na parte noturna, além dos concorrentes que estavam muito rápidos tomou nossa atenção, mas no final a vitória veio", finalizou.

Interação

A oportunidade de ver de perto carrões como Ferrari e Maserati atraiu o público que neste sábado (25) foi até o Autódromo Internacional Ayrton Senna para acompanhar a 26ª edição das 500 Milhas de Londrina. Por cerca de uma hora antes da largada, os visitantes puderam passear pelos boxes e observar as equipes trabalhando, conversar com pilotos e entender como é a preparação dos veículos antes da corrida, movimentação que exerce enorme fascínio sobre os aficionados pelo automobilismo.


Gaúcho de Passo Fundo, o administrador de empresas aposentado Ivan Tissot mudou-se para o Paraná há oito meses e neste sábado veio de Maringá (Noroeste) para Londrina especialmente para acompanhar a corrida, trazendo junto o neto Lucas, dez anos. Tissot foi piloto no Rio Grande do Sul. Começou a correr de lambreta, depois passou para os gordinis e há 35 anos abandonou as pistas de kart, após quatro anos competindo na modalidade. "Nunca competi em carro pesado como o de hoje, eram outras categorias, sempre inferiores, mas o sangue sempre ferve", disse. "É a primeira vez que venho assistir a uma prova das 500 Milhas. Vim para ver a prova e também para prestigiar o Cacau (Cláudio Ricci, automobilista), que é lá de Passo Fundo", comentou o aposentado. Ricci, que já competiu pela Stock Car, é o proprietário das duas Maserati inscritas nas 500 Milhas. Uma delas foi pilotada pelo governador do Paraná, Beto Richa.


ex-piloto de  kart, o gaúcho Ivan Tissot que mora atualmente em Maringá, veio especialmente para acompanhar a corrida trazendo junto o neto Lucas
ex-piloto de kart, o gaúcho Ivan Tissot que mora atualmente em Maringá, veio especialmente para acompanhar a corrida trazendo junto o neto Lucas



O técnico em telecomunicações Joel Moura também veio de Passo Fundo para o Paraná. Instalou-se em Londrina há seis meses e, apaixonado por velocidade, acompanhou na sexta-feira (24) à noite os treinos e no sábado voltou ao autódromo para ver a corrida. Antes, porém, passou pelos boxes para matar a curiosidade sobre a tecnologia utilizada nos veículos. "O que mais me chama a atenção é ver o grau de criatividade do pessoal para incrementar os carros. Não é nada comprado, tudo é criado nesses veículos. Eles começam do nada e, com criatividade, vão montando os veículos. Os modelos mais caseiros são os que mais me atraem e aproveito para matar minha curiosidade conversando com os mecânicos."


Sentado sobre os ombros do pai, Mateus, quatro anos, tinha um olhar atento sobre a movimentação nos boxes. A família vive próxima ao autódromo e sempre que ouve o ronco dos motores, Mateus pede para ir ver as corridas. Apesar da pouca idade, o garoto já demonstra sua paixão pela velocidade. Ele pilota uma mini moto a gasolina e não perde uma prova da Fórmula 1 pela televisão. "O que ele mais gosta é ver o carro saindo fora da pista, rodando, ele chega a vibrar quando acontece isso", revela o pai, o engenheiro eletricista Victor Baccaro Sposti, de quem Mateus herdou o gosto pelos motores. "Gosto de rali, já pratiquei enduro de moto, então acho que isso o influenciou um pouco", disse Sposti. "Aqui nas 500 Milhas tem algumas coisas diferentes, que é um pouco mais difícil de ver nos campeonatos regionais que acontecem aqui, como a Ferrari e a Maserati, é bem bacana."


Nos ombros do pai, Victor Baccaro Sposti, o pequeno Mateus tinha um olhar atento sobre a movimentação nos boxes
Nos ombros do pai, Victor Baccaro Sposti, o pequeno Mateus tinha um olhar atento sobre a movimentação nos boxes



Para o estudante Rodolfo César, a visita aos boxes foi muito mais do que um meio de sanar a curiosidade. Aluno do curso de manutenção automotiva no Senai, em Londrina, foi ao autódromo acompanhado de um grupo de colegas para fiscalizar os boxes e observar se havia alguma irregularidade. "É objeto de estudo. Tenho muito interesse em trabalhar na área e me interesso muito pela preparação dos carros e dos pilotos. O principal nas 500 Milhas é a duração da prova, que exige bastante resistência dos veículos e dos pilotos também. Têm que ser bem preparados para conseguir aguentar", disse o estudante.

A PROVA

A largada das 500 Milhas de Londrina aconteceu às 16 horas e a previsão era que os pilotos concluíssem a prova às 23 horas deste sábado. A prova surgiu em 1992 como parte da festa de aniversário da cidade, em 10 de dezembro, como uma festa para os pilotos encerrarem as provas do ano e é considerada umas das mais tradicionais provas de endurance brasileiro. "Nos últimos dez anos a gente tem aberto os boxes para visitação do público porque percebemos que uma das coisas que as pessoas mais gostam é chegar perto dos carros. A gente que pode chegar perto a toda hora não valoriza tanto, mas as pessoas têm essa curiosidade", explicou o piloto e um dos organizadores da prova Aloysio Moreira. "A maior curiosidade das pessoas é em relação à mecânica do veículo. Ver que o engenheiro montou o carro sozinho, fez o projeto, soldou, cortou, emendou, construiu e é ele quem pilota."

Com as 500 Milhas, destacou Moreira, a intenção dos organizadores é criar em Londrina a tradição no automobilismo que já existe em Cascavel e em Porto Alegre, por exemplo. "Começamos há 26 anos e isso vem crescendo. Mais de 75% dos pilotos que participam da prova são de fora do Paraná."

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