FAMA E SUCESS0 - Londrinenses não pensam em voltar
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sábado, 26 de junho de 2004
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Um é atacante, artilheiro e ídolo por onde passou. O outro é um volante polivalente, habilidoso, que consertou o meio-campo dos times em que jogou. O terceiro é um jovem zagueiro, que cresceu junto com seu clube e já sofre assédio das grandes equipes do país em que atua. Em comum, a realização de um sonho e a vontade de não deixá-lo acabar. O atacante Élber, 31 anos, o volante Vágner, 30, e o zagueiro Cribari, 24, todos londrinenses, se deram bem no futebol europeu e não pensam em voltar para o brasileiro.
Conquistaram o que é o sonho tanto dos garotos que disputam peladas descalços nos campinhos de terra batida da periferia como dos meninos que iniciam a corrida atrás de uma bola em escolinhas totalmente estruturadas. Dinheiro, fama, prestígio e o reconhecimento pelo que fazem. Recebem em dia proventos bem mais gordos do que os vistos no Brasil, onde o mês tem 40, 50 ou muito mais dias.
Dos três, o único que jogou boa parte da carreira no Brasil foi Vágner. Passou por grandes clubes, ganhou títulos, mas foi na Europa que chegou à seleção brasileira.O meia do Celta, da Espanha, também foi único que não vestiu a camisa alviceleste do Londrina, nem mesmo nas categorias de base. ''Quem sabe um dia. Mas tenho que jogar com motivação e tem que ser para ganhar títulos. Tem que ser uma coisa bem pensada, porque não importa se terei 31 ou 35 anos, a cobrança será a mesma'', afirmou Vágner.
''Joguei na Itália numa época em que o sonho de todo jogador brasileiro era se transferir para lá e agora estou no Campeonato Espanhol que é o melhor do mundo. É muito difícil voltar para o Brasil'', confessou o meia, que tem dois motivos bem convincentes para permanecer na Espanha: casou-se com uma espanhola e o filho Alexandre, de seis meses, nasceu por lá. Mas ele abre um precedente. ''Se algum dia voltar para o Brasil para jogar, será no São Paulo. Seria a única equipe em que jogaria novamente aqui no Brasil''. Há pouco mais de dois meses, o Tricolor paulista e Vágner chegaram a negociar sua volta, mas não houve acerto salarial.
Já Élber, campeão francês pelo Lyon e o mais vencedor dos três, nem cogita a possibilidade de regressar. ''Não penso, não. Vou encerrar a carreira lá fora. Não tem nenhum lugar especial. Claro que seria legal voltar ao Bayern (de Munique). Lá fiz meu nome e ganhei títulos. Voltar para o Brasil para falarem que só tô 'roubando' (só joga com o nome e não produz)? Não dá'', justificou.
O atacante praticamente não sabe o que é jogar no Brasil. Nunca disputou um Campeonato Brasileiro. Sua única passagem no futebol profissional tupiniquim foi no Tubarão, onde iniciou a carreira em 90.
O zagueiro Cribari deu um salto ainda maior do que o de Élber. Ele saiu do juvenil do Londrina direto para o do italiano Empoli, saltando de categorias até se firmar como titular no profissional. Solteiro, aproveita as regalias da profissão e os prazeres da Itália. ''Penso em voltar para o Brasil, mas só daqui há uns seis ou sete anos. Por enquanto não. Tenho muito a crescer e a Europa é o melhor lugar para isso'', garantiu o zagueiro, que tem propostas do Cagliari e Fiorentina, ambos da Itália, e do Tottenham, da Inglaterra. Ele chegou a ser sondado por Milan e Juventus.
Vágner e Cribari, porém, não tem muito a comemorar na temporada 2003/2004. O Celta, do meia, com muitas estrelas, como o goleiro da seleção argentina Caballero, os brasileiros Edu e Silvinho, o russo Mostovói e o lateral espanhol Juanfran, foi rebaixado para a segunda divisão. O modesto Empoli, do zagueiro, seguiu o mesmo caminho na Itália.


