Faltou gol na decisão do Paulistão
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de maio de 2011
Fábio Hecico e Sanches Filho <br> Agência Estado 
São Paulo - Um dormiu lamentando as boas chances claras desperdiçadas atuando ao lado de sua torcida, como a bola na trave de Liedson e as duas finalizações de Bruno César na frente de Rafael, uma por cima e outra nas mãos do goleiro. O outro voltou para casa com o sentimento de que poderia ter uma vantagem ainda maior do que apenas decidir em sua casa, a Vila Belmiro, no próximo domingo, caso uma das duas bolas na trave de Neymar ou o toque por cobertura de Danilo balançasse a rede corintiana.
Em uma partida digna de final, disputada lá e cá, ora marcada pela forte marcação, ora pelas boas chances de gols, o empate por 0 a 0 não refletiu o que Corinthians e Santos fizeram ontem no Pacaembu. Os quase 37 mil torcedores presentes - somadas as duas torcidas, mas com grande maioria de corintianos -mereciam ter soltado o grito de gol.
Agora a decisão vai para a Vila Belmiro, onde o Santos costuma não dar chances a seus adversários. Com a força da torcida, entra como favorito à 19. taça. Por outro lado, o Corinthians tem boa recordação do estádio, onde fez 3 a 1 em 2009 e praticamente selou a conquista do Estadual - depois, deu a volta olímpica com 1 a 1 em seus domínios. Quem ganhar no próximo domingo é campeão. O empate leva a decisão para disputas de pênaltis.
Apesar de ter a vantagem de atuar no seu templo sagrado, o Santos não poderá dedicar-se à final apenas. A equipe dormiu neste domingo em São Paulo. Nesta segunda-feira, às 13 horas, embarca para a Colômbia, onde na quarta desafia o Once Caldas, pela Copa Libertadores da América. Sem compromisso no meio da semana, o Corinthians passará a semana buscando a melhor formação e esquema para segurar o potente ataque santista - e seu endiabrado Neymar, neste domingo o melhor em campo (elétrico, principalmente após receber o cartão amarelo) - e, ao mesmo, como furar o paredão defensivo do oponente, há cinco rodadas sem levar gol.
A recíproca também vale ao Santos, já que o Corinthians é a segunda defesa menos vazada da competição e marcação é a principal virtude das equipes armadas por Tite, sempre competitivas e forte atrás. ''A decisão está aberta. Eles conseguiram segurar o empate aqui, jogam em casa, têm pequena vantagem, mas também temos chances de ganhar na Vila Belmiro'', disse o goleiro Júlio César. ''Poderíamos ter vencido aqui, pois as melhores chances, as mais claras, foram nossas no segundo tempo. Agora, temos de aproveitar o fato de jogar ao lado de nossa torcida'', rebateu o zagueiro Edu Dracena.
O Corinthians não fez valer o fato de jogar ao lado de sua torcida neste domingo por demonstrar uma certa ansiedade na hora de chutar a gol. Por muitas vezes os donos da casa, sem espaços, chutaram a bola em cima dos zagueiros. Nas chances mais claras, como com Bruno César, duas vezes na cara de Rafael. Do lado santista, também faltou uma melhor pontaria. Neymar saiu pedindo desculpas por não caprichar quando esteve na cara de Júlio César. Parou na trave duas vezes.
A lição tirada deste domingo é que a taça sairá para quem tiver mais sangue frio da hora de balançar as redes no próximo domingo. E a certeza que as equipes levam para Santos é que emoções não faltarão.
EM SÃO PAULO
Corinthians 0
Júlio César; Wallace (Ramirez), Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Bruno César (Morais); Jorge Henrique, Dentinho (Willian) e Liedson. Técnico: Tite
Santos 0
Rafael; Jonathan, Edu Dracena, Durval e Alex Sandro; Adriano, Danilo (Pará), Elano e Paulo Henrique Ganso (Alan Patrick); Neymar e Zé Eduardo (Keirrison). Técnico: Muricy Ramalho.
Árbitro: Cléber W. Abade
Estádio: Pacaembu
Renda: R$ 1.412.840,00
Público: 34.547 pagantes (36.999 no total)


