Após cinco confrontos com o Cruzeiro nesta temporada, o técnico Luiz Felipe Scolari encontrou uma maneira de neutralizar a força ofensiva do adversário: fazer faltas. ‘‘Sem violência’’, explica o treinador do Palmeiras. ‘‘Apenas para matar a jogada, no meio-de-campo.’’ A principal preocupação da equipe paulista é com a habilidade do meia Valdo, atleta fundamental no auxílio aos atacantes Muller e Fábio Júnior.
Scolari reconhece que as partidas das quartas-de-final do Campeonato Brasileiro estão muito ‘‘truncadas’’, com as equipes fazendo sucessivas faltas. A explicação, segundo ele, é fácil. ‘‘No momento de decisão, os jogadores acabam entrando de uma forma mais ríspida, mas dentro da normalidade’’, declara o treinador.
Para os volantes Galeano e Rogério, principais responsáveis pela marcação, o Palmeiras é uma equipe disciplinada. ‘‘O contato físico faz parte do jogo’’, define Rogério. Galeano, o ‘‘intocável’’ de Scolari, concorda. ‘‘Estamos lutando pela classificação e não podemos perder o ritmo e a garra.’’ Na vitória por 2 a 1 sobre os mineiros, domingo, no Palestra Itália, Galeano foi o atleta mais aplaudido pela torcida.
Scolari também elogiou o desempenho do volante e cutucou os outros treinadores. ‘‘Não escondo que a falta seja necessária num jogo’’, destaca. ‘‘Talvez eu seja burro por falar a verdade, mas muitos técnicos mentem quando dizem que não pedem a mesma coisa.’’
A estratégia, porém, tem os seus riscos. Domingo, na tentativa desesperada de fazer falta em Fábio Júnior, depois de perder a bola, o zagueiro Júnior Baiano caiu sobre o braço direito e teve uma luxação no cotovelo, o que deverá deixá-lo afastado do futebol até o fim do ano. O atleta ficará com o braço engessado por mais 14 dias.
O zagueiro Roque Júnior, que passou por uma cirurgia de calcificação no tendão patelar do joelho esquerdo, já está à disposição de Scolari. Ele poderá ficar à disposição amanhã no banco de reservas.
Muller confirmado - O Cruzeiro, que amanhã enfrenta o Palmeiras pela sexta vez este ano e precisa da vitória para passar às semifinais do Brasileiro, deverá iniciar a partida com a mesma escalação de domingo, quando perdeu para o time paulista por 2 a 1.
Embora faça mistério sobre a formação da equipe, foi o que deu a entender, ontem, o técnico Levir Culpi, ao comentar o retrospecto de Cruzeiro x Palmeiras nesta temporada. ‘‘Acredito que o jogo não será diferente dos outros cinco, mesmo porque as escalações não sofrerão grandes alterações’’, afirmou o treinador. ‘‘Tanto o Cruzeiro quanto o Palmeiras deverão partir para cima e a previsão é de mais uma partida dramática com final feliz para nós, eu espero’’, acrescentou o treinador.
A expectativa é de que Muller e Alex Alves estejam ao lado de Fábio Júnior, no ataque, enquanto o apoiador Caio e o atacante Marcelo Ramos, cotados para começar jogando, sejam mantidos no banco.
Culpi também está confiante na recuperação do goleiro Dida, que torceu o tornozelo, no jogo de domingo, e foi substituído por Paulo César Borges. Dida foi poupado dos treinos de segunda-feira e submeteu-se a um tratamento intensivo com gelo. Ontem, porém, ele fez uma corrida com Paulo César e com o terceiro reserva Rodrigo Posso, o que animou o treinador.
‘‘A palavra final será do departamento médico e do próprio atleta, mas acredito que ele estará em campo’’, disse Culpi. Dida é reconhecido pelos colegas não apenas como um excelente goleiro, mas também como uma espécie de amuleto do time. Sem ele, o Cruzeiro amargou, por exemplo, as duas derrotas contra o Palmeiras em 1998, ambas no campo do adversário.

mockup