Alegando falta de dinheiro, o Londrina está encontrando dificuldades para substituir os cinco jogadores dispensados na última segunda-feira - Amarildo, Agnaldo, Nelsinho, Alex e Dão, além do técnico Paulo Comelli - para a disputa da Série A-2 (segunda divisão) do Campeonato Paranaense. Um dos principais nomes da lista - o centroavante Nildo, ex-Santos, Grêmio de Porto Alegre e Portuguesa de Desportos - já foi consultado, mas ainda não respondeu à proposta formulada anteontem pelo supervisor Lico.
O lateral-direito Paulinho, que defendeu o Londrina na temporada 96, também procurado no início da semana, parece mais próximo do clube. No entanto, o jogador explicou aos dirigentes que não pretende deixar o Ceará sem antes receber o saldo salarial e outros direitos trabalhistas. Anderson, ex-Ponte Preta e Ponta Grossa, é uma das alternativas sugeridas para a posição.
Se os reforços não chegarem até hoje, a tempo de inscrevê-los na Federação Paranaense de Futebol (FPF), o técnico interino Val de Mello escalaria diante do Assahi, domingo, no Estádio Municipal de Assaí, o time do coletivo de anteontem, provavelmente incluindo Eraldo no ‘quadrado’ de meio-campo. Eraldo, já liberado pelos médicos Ângelo Sella e Júlio Bispo, participa do coletivo de hoje à tarde no Estádio VGD. Se Eraldo não sentir mais as misteriosas dores na barriga, Val irá confirmá-lo no time.
Novo modelo - Mergulhado em dívidas de cerca de R$ 2 milhões, o Londrina procura saídas para se safar da crise que ameaça a própria sobrevivência do clube. Ontem à noite, o Conselho Deliberativo discutiu o projeto da Capital Markets - a mesma que estruturou o atual modelo-empresa do Malutrom, de São José dos Pinhais -, que se propõe a transformar o Londrina em Sociedade Anônima, baseado na Lei Pelé, já em vigor. ‘‘É a minha última esperança. Se não der certo, estarei literalmente fora do Londrina’’, disse o coordenador de futebol Célio Guergoletto, antes do término da reunião do CD.
O diretor da Capital Markets, Israel Pessoa Júnior, não pôde comparecer ao encontro - não havia condições de vôo no aeroporto de Curitiba. Mesmo assim, os conselheiros analisaram os itens contidos no organograma previamente elaborado. Em síntese, segundo a proposta, o objetivo básico é ‘‘operacionalizar o Londrina como entidade privada, que manteria um perfil organizacional voltado prioritariamente ao lucro do clube e dos possíveis investidores’’.
A Markets colocaria também ações do Londrina no mercado de capitais, buscando recursos que seriam aplicados nos departamentos de futebol Profissional e Amador. Grupos de pessoas físicas ou jurídicas - interessadas em investir no futebol - exerceriam o controle acionário.
Os principais investimentos previstos: escolinha de futebol, jogo do bingo, atividades sociais e esportivas, comercialização de material esportivo e de ingressos, patrocínio de eventos, licenciamento da marca Londrina, contratos com jogadores, vendas de direitos de transmissão e retransmissão de competições esportivas, propagandas institucionais e formação de técnicos e executivos na área de marketing esportivo.
O preço pedido para a primeira fase dos trabalhos da Capital Markets - pelo período de 90 dias - é de R$ 15 mil. O Londrina ainda pagaria 5% de comissão em cima das eventuais parcerias e demais recursos obtidos. Até as 21 horas, o Conselho Deliberativo ainda não havia terminado de analisar a proposta.Arquivo Folha‘‘É minha última esperança. Se não der certo, estou fora do Londrina’’ Célio Guergoletto, sobre a proposta de S/ANelson Cilo

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