Falta de tênis é apenas um dos muitos problemas
Para se sobressair nas provas, Ilda treina duas vezes por dia, de segunda à sábado. Corre no parque da Pedreira e na pista da Universidade Estadual de Maringá (UEM). E ainda conta com a dificuldade de ter apenas dois pares de tênis, um para o treino e outro para competir. Como comparação, uma atleta de elite tem pelo menos 10 pares de tênis. É como se fossem pneus para os carros de Fórmula 1. Tênis para dia de chuva, para sol, para provas leves (sem muita subida), para provas pesada (com muita subidas e descidas), para correr provas de 10km, para treinar na pista de atletismo e o tênis para correr maratona que deve ser sempre um número à mais do tradicional que calça. Essa técnica é usada para não machucar os dedos e unhas devido ao grande esforço e longo trajeto.
Ilda sempre viaja sozinha para competir. O motivo, a economia. Seu irmão viaja para competir também nos finais de semana. Vai cada um para um lado, dizem em meio a risadas tímidas. A renda das famílias vem das provas que possuem premiação em dinheiro. Vivemos das corridas de bate-saco (termo usado pelos atletas para identificar as provas premiação em dinheiro), dizem.
Quando o assunto é resultado de provas que constam no currículo, Ilda fala com uma voz tímida mas orgulhosa de todos o seus resultados, dentre eles destacam-se os títulos de campeã da Maratona de Curitiba (2005), bicampeã da Maratona da Disney (2002 e 2003), bicampeã da Maratona de Florianópolis (2002 e 2003), tricampeã da Maratona de Blumenau (2003, 2004 e 2005) e o de vice-campeã da Maratona do Rio de Janeiro, realizado no último domingo, com o tempo de 2h45min.
Em relação a continuar correndo sem patrocínio, Ilda fala, fico preocupada, mas não tenho medo. Já que cheguei até aqui e não vou desistir de tudo que construí até agora. É a minha profissão, escolhi isso para mim e me orgulho disso. (O.L.)





