Por mais que alguns árbitros ganhem projeção, fama e dinheiro, e outros passem toda a carreira no anonimato, o começo deles é igualmente difícil. Apitam competições amadoras, sem segurança, com baixos cachês e às vezes nem recebem. Muitos desistem antes mesmo de alcançarem as competições profissionais. ''O começo é mais difícil que qualquer outra profissão. Além de buscar o conhecimento, tem que contar com a sorte'', definiu o presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, Afonso Vitor de Oliveira, que largou o apito em 1995.
Passados 12 anos, a definição de quem está começando é a mesma. ''O começo é difícil, tem que ser perseverante, ter um psicológico bom para trabalhar. Aprendi ter auto-controle, ter o momento certo de mostar um cartão, de advertir'', disse Cléber Luís Ludwing, 30 anos.
Diante das dificuldades, o assistente Gilson Bento Coutinho viu as portas se abrirem ao deixar o apito de lado e pegar a bandeira. Formado em 1989, ele viu a grande chance de deslanchar na carreira em 1999, quando a CBF abriu duas vagas para árbitros e seis para assistentes em seu quadro no Estado. ''Vi que as chances eram maiores e decidi ser auxiliar. Acabou dando certo'', disse Coutinho.
Ele já trabalhou em jogos importantes como o confronto entre Goiás e Corinthians, pelo Brasileirão de 2005, que deu o título ao Timão. Aos 40 anos - a carreira do árbitro termina aos 45 -, ainda não deixou apagar a chama da esperança de se juntar ao também londrinense Héber Roberto Lopes no quadro da Fifa. ''Pelos jogos em que trabalhei no Campeonato Brasileiro, tenho esperança de entrar no quadro da Fifa, apesar da minha idade'', contou.
Mesmo mantendo o sonho, Coutinho também convive com o fim da carreira. ''Fico pensando o que vou fazer daqui cinco anos quando parar. Dá um aperto no coração'', disse.
Se Coutinho já construiu uma carreira sólida e fala em Fifa e aposentadoria, Ludwing ainda aguarda a chance de ganhar uma sequência no Campeonato Paranaense. Ele apitou apenas um jogo este ano e espera que a lista ganhe corpo em 2008. Enquanto isso, o funcionário público municipal de Ibiporã vai se preparando. ''Treino diariamente, estudo as regras e acompanho jogos''.
Ele não deixa o desânimo afetar e tem a paciência de esperar, amparado por uma frase que faz questão de deixar como incentivo aos colegas que vivem situação semelhante. ''É melhor estar preparado para ter uma chance e não tê-la do que ter uma chance e não estar preparado''.
Emergente no quadro da CBF, Antonio Denival de Moraes, 37, ao contrário de Coutinho, acha que não tem mais chances de estampar o distintivo da Fifa em seus uniformes. Por isso diz se preparar para crescer nas competições nacionais e poder conciliar a arbitragem com sua profissão. É policial militar da Companhia de Trânsito de Londrina. ''A Fifa não é minha realidade. Primeiro pela idade e segundo porque tem muita gente boa na minha frente. Para ser sincero, também não sei qual é o critério a ser utilizado para que um árbitro seja indicado ao quadro da Fifa'', descartou.
De acordo com Oliveira, não existe uma norma a ser seguida pelos árbitros para ingressarem na Fifa. Ele explicou que quando um apitador chama a atenção da CBF, a entidade ''investe'' nele. Hoje, no Paraná, quem recebe esta atenção é Evandro Rogério Roman. Segundo Oliveira, a idade também pesa e o domínio de um segundo idioma chega a ser uma exigência. (T.M.)

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