Falta de renovação põe em risco futuro da seleção de basquete
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Heleni Felippe 
São Paulo, 12 (AE) - Em qualquer lugar do mundo, o destino natural do cestinha de um campeonato nacional seria a seleção do país, especialmente em ano de Pré-Olímpico, torneio classificatório para a Olimpíada de Sydney, no ano 2000.
No Brasil, no entanto, o cestinha do Campeonato Nacional é Oscar Schmidt, um "aposentado" da seleção, que completa 41 anos na terça-feira de carnaval. Ter um jogador fora-de-série em atividade após os 40 anos é motivo de orgulho para o basquete brasileiro. Mas também é a prova de que não houve renovação no esporte. É exatamente por isso que a seleção masculina corre um enorme risco de ficar fora da Olimpíada.
Em 14 participações do basquete masculino em Jogos Olímpicos - desde Berlim, em 1936 -, o Brasil só esteve ausente do torneio de Montreal, em 1976. O País tem três medalhas de bronze olímpicas, obtidas em 1948 (Londres), 1960 (Roma) e 1964 (Tóquio). Desta vez, vai à Copa das Américas de San Juan, em Porto Rico, em julho, sabendo que terá enormes dificuldades para obter uma das duas vagas em disputa.
Uma será dos Estados Unidos, que terão um Dream Team, com jogadores da NBA. Ao Brasil, resta brigar com Canadá, Porto Rico e Argentina pela outra vaga.
Para o técnico Cláudio Mortari, que comanda Oscar no Mackenzie/Microcamp, a idade não deve ser motivo para deixar de convocar um jogador que tem talento, condições físicas e assusta o rival. "É convocável", afirma Mortari, que compartilha a opinião de vários treinadores, manifestada nos bastidores.
Oscar é o primeiro a dizer que não volta à seleção.
O técnico do Brasil, Hélio Rubens Garcia, concorda. "Começamos um processo de renovação visando a resultados para 2004 e, por isso, temos de convocar jogadores mais jovens."
Hélio, que valoriza o sistema defensivo, acrescentou que a última coisa que observa nas estatísticas é o número de cestas. "Dou atenção aos rebotes, às bolas recuperadas, às assistências e a itens que não aparecem, como a postura defensiva." O técnico qualifica o Pré-Olímpico de "muito difícil" e diz que "é irracional" querer resultados a curto prazo.
"Fomos os décimos no último Mundial, essa é a nossa realidade." Mesmo que o Brasil fique fora da Olimpíada, vai dar sequência ao processo de renovação iniciado há um ano e meio, garante o presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Gerasime Grego Bozikis.
Disse que a CBB trabalha com a geração que hoje tem 17 anos. "O Mundial Juvenil de Portugal, em julho, é prioridade", observou Grego. "Temos um buraco de oito, nove anos, não houve renovação desde a geração do Oscar e não podemos nos dar ao luxo de levar mais nove anos para fazer isso." O Brasil não vai ao Pré-Olímpico para perder. "Vamos buscar a vaga", disse Grego, reconhecendo que as dificuldades "serão enormes."


