Ribeirão Preto, 17 (AE) - O céu e o inferno - acesso e rebaixamento - sempre estiveram perto do Araçatuba na década de 90. Após tanta agonia e a disputa, durante dois anos seguidos, do quadrangular da morte, safando-se, desta vez o Araçatuba finalmente chegou ao abismo na elite do Campeonato Paulista. A queda estava ensaiada desde o início do ano e era apenas uma questão de tempo: ocorreu ontem, mesmo vencendo, em casa, a Matonense, por 2 a 1. O resultado foi bom para a Ponte Preta, que teria "dado um incentivo" (mala preta) à parte, fato festejado pelos jogadores no final.
A Associação Esportiva Araçatuba, AEA como é conhecida na cidade, sempre esteve vinculada ao dinheiro público, que lhe garantia uma sobrevida a cada ano. Em 2000, porém, essa fonte secou, pois o Tribunal de Contas do Estado (TCE) impediu essa prática. Com ações trabalhistas e bloqueio das contas, tentou-se buscar uma solução, uma acordo com o empresário Giusepe Rubolota. "Foi uma parceria nefasta que não deu bons frutos", diz o vice-presidente do clube, Hélio Corrêa, que também critica a qualidade do elenco.
O time, ao contrário de anos anteriores, foi um fiasco em campo.
Pardal pegou um grupo fraco e caiu depois de duas derrotas. O desconhecido argentino Pablo Centrone conseguiu salvar a equipe do rebaixamento na primeira fase, na última rodada, mas caiu em seguida.
O polêmico Serginho Chulapa chegou e logo pulou fora. Sobrou para Luiz Antonio Zaluar, que levará no currículo a fase derradeira, com um elenco limitadíssimo.
Num campeonato rápido, os atrasos nos pagamentos de salários também contribuíram. Alguns jogadores foram dispensados e até dois estrangeiros - o uruguaio Rodríguez e o argentino Omar Ríos - tentaram evitar a catástrofe. Os dirigentes também não conseguiram unir o empresariado da cidade, aumentando o desespero da torcida, que sentia, sem ter o que fazer, o drama.
Fundado em 1972, o Araçatuba foi campeão paulista da antiga segunda divisão no ano seguinte. Em 1991, o falecido técnico Afrânio Riul levou-o ao título da antiga Intermediária, mas não houve cruzamento com os grandes nos dois anos seguintes. Em 1994, Roberval Davino conduziu o time, com camisas amarelas, ao título da Série A2, possibilitando, enfim, os confrontos com os grandes, que, aliás, aliviam-se: não cruzarão mais o Estado em 2001. O Araçatuba terá que começar tudo novamente, ressurgindo das cinzas.

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